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A "publireportagem institucional", "Golfe, muito mais do que um desporto", um texto que utiliza dados estatísticos reais (muitos deles provenientes de um estudo da NOVA SBE) para construir uma narrativa que justifica o investimento (sobretudo) público, omitindo as questões mais espinhosas. É quase enternecedor para as pessoas sem casa e sem saúde ver esta prioridade para o dinheiro público, vá lá, ao menos os buracos que se transferiram do golfe para as estradas da Madeira, muito mais do que 18, 180, 1800 ... 18.000?
O texto foca-se no Golfe como Indústria, onde o único fumo são dos charutos daqueles que o golfe é unicamente para proximidades, tentando afastar a imagem de "desporto de elites" para o transformar num "motor económico". Se aceitarmos isso, o Futebol é um vulcão económico? E as pessoas na semana a se levantar para ir trabalhar é o quê?
A publireportagem menciona que o golfe contribui para milhões no PIB e receitas fiscais. Quanto é que o Governo Regional já injetou, direta ou indiretamente, encapotado em negócios, no Clube de Golfe do Santo da Serra ao longo das décadas? Muitas vezes, estes números de "riqueza gerada" servem para abafar o facto de que, sem o dinheiro dos contribuintes para manutenção, saneamento ou acessos, estes campos seriam inviáveis. É a socialização dos custos e a privatização dos lucros. Ficamos por aqui ou querem brigar? Não andamos todos às escuras.
O texto admite, "o impacto económico do setor tem a sua maior fatia na componente da construção". Jura?! A malta de olho aberto desta Madeira nem sonha para que são tantos campos de golfe. É mais ou menos o Eduarqo Mão em Turismo Rasca a querer distribuir a manada para não irem para os mesmos lugares. Nada como 4 ou 5 campos e golfe para distribuir melhor a especulação imobiliária onde as infraestruturas para o contribuinte e os senhores de bem exploram por uma "manada" de anos.
O golfe é frequentemente o pretexto para desbloquear PDM (Planos Diretores Municipais) e permitir a construção de luxo em zonas protegidas ou rurais. O golfe atrai o licenciamento, o lucro real vem da venda de vivendas e apartamentos que, muitas vezes, acabam por servir o mercado de especulação e não o turismo real. Há muita ansia para lavar dinheiro nestas coisas em criptomoedas.
O texto faz uma comparação curiosa, diz que os campos de golfe pagam sete vezes mais pela água do que o agricultor (0,231€ vs 0,033€). Se esta JPP fosse do meu tempo levavam umas relampadas nas contas, ... mas eles agora até dão palco ao mentor do golfe. Outro que não gosta de dinheiro... O problema não é apenas o preço, é a prioridade de abastecimento. Em anos de seca, enquanto o agricultor vê o seu regadio cortado ou condicionado, os "pulmões verdes" dos campos de golfe mantêm-se impecáveis para não afastar os "22 mil turistas". Além disso, o texto ignora o custo de oportunidade, quanta água potável é desviada para manter um relvado que serve apenas uma pequena percentagem dos residentes? Andamos a brincar? Vamos ver o preçário da água potável, da água para regadio, para jardins e para os campos de golfe? Deixo esta em aberto...
Agora gozar mesmo o pagode é o artigo terminar a chamar "mitologia urbana" às questões ambientais. Que não venha um granizo que vos ponha o green brown. Chamar "barreira de defesa da paisagem" a um monocultivo de relva que exige herbicidas e fertilizantes químicos é, no mínimo, audaz. O Santo da Serra é uma zona sensível, o impacto destes químicos nos lençóis freáticos raramente aparece nestes estudos económicos.
A próxima vez que o Golfe do Santo da Serra escrever podia colocar o título "Golfe no Santo da Serra, desporto estratégico ou imobiliário de luxo pago por todos?" Alguns fizeram vida com nomes de família, empregos do carro preto e não descem à terra.
Se o golfe é "economia circular" e o dinheiro roda tanto, porque é que o setor precisa constantemente de apoios e "ajustes" políticos?
Eles sabem todos o povo amorfo que têm.
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