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A sintonizar estações...

"O casal ventoso"

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om a quantidade de droga que circula na Madeira a par do vento cada vez mais frequente, qualquer dia em vez de "Pérola do Atlântico" seremos "Casal Ventoso". Olá a todos, venho falar de vento! Ventania, meteorológica.

Já repararam que o vento é cada vez mais frequente e por dias consecutivos? Ou só nota os aviões às voltas? A sensação de que a Madeira está "mais ventosa" não é apenas uma impressão de quem anda na rua, sobretudo do penteadinhos, há fatores climáticos globais e locais que estão a alterar a dinâmica das correntes de ar no arquipélago. Eu estou tranquilo, o nosso Eduardinho mais ainda, Plano de Contingência nem vê-lo.

Imagine a Madeira como um obstáculo físico num tapete rolante de vento que está a mudar de velocidade e de inclinação. Força e orientação. O grande motor do vento na Madeira é o Anticiclone dos Açores. Nos últimos anos, devido às alterações climáticas, este sistema de altas pressões tem-se tornado mais intenso e, por vezes, desloca-se para posições que criam um gradiente de pressão mais apertado entre os Açores e a costa africana.

Quanto maior for a diferença de pressão entre dois pontos, mais depressa o ar se move. É como se estivéssemos a apertar mais o bocal de uma mangueira, a água (neste caso, o vento) sai com muito mais força.

Por outro lado, a ciência explica que as zonas tropicais estão a "expandir-se" para norte. Eduardinho deve estar contente, acertou no slogan. Este fenómeno empurra as correntes de jato e os sistemas de ventos permanentes (Alísios) para latitudes mais elevadas.

No meio deste sistema do "empurra" está a Madeira. Os ventos de Nordeste, que antes eram mais constantes e moderados, estão a chegar com novas direções e intensidades, atingindo zonas da ilha que antigamente estavam mais protegidas pela orografia. E qual a zona? Sobretudo o Funchal, onde estão mais pessoas para que a ideia de vento mais frequente e mais forte se generalize.

Tenho visto outros autores a falar das temperaturas da água do mar que alimentam mau tempo, verdade, e guia "desastres" para cima de zonas populacionais. O aquecimento das águas do Atlântico em redor da Madeira tem sido recorde. O vento é, na sua essência, o ar a mover-se de zonas frias para zonas quentes. Com a terra a aquecer muito depressa durante o dia e o mar a apresentar temperaturas anómalas, as brisas térmicas tornam-se mais violentas. Esse contraste térmico "puxa" o vento com mais agressividade para dentro dos vales e encostas. Sentimos nós a andar, sentimos nos carros/motas nas pontes (a propósito, as mangas de vento deveriam voltar às pontes mais extensas), sentem os celebrizados aviões que ficam às voltas.

As pessoas que falam do ambiente e suas insustentabilidade nunca disseram isto, parece contraditório, mas o betão influencia o vento. A construção em altura e a alteração da ocupação do solo nas encostas do Funchal e de Santa Cruz criam novos corredores de vento. Claro que chegam turbulentos e difusos aos aviões.

Com a serra calcinada por incêndios e fraca gestão florestal que leve projectos de plantio pensado para o sucesso, onde antes existia vegetação que "travava" e dispersava o ar, hoje existem superfícies lisas ou canais de edifícios que criam o efeito Venturi, acelerando o vento a nível do solo e dando a sensação de que as rajadas são muito mais frequentes e fortes. A floresta é uma esponja atenuadora dos ventos que chegam às zonas habitacionais.

Antigamente, o vento de Leste era um evento episódico de verão. Agora, assistimos a episódios de vento de quadrante Este/Sudeste (o ar quente de África) com mais frequência e fora de época, Em abril deste ano já o tivemos. Estes ventos são particularmente turbulentos porque têm de atravessar toda a massa montanhosa da ilha antes de descerem "em queda livre" sobre o Funchal e a zona oeste, ganhando velocidade na descida (ventos catabáticos).

A Madeira está a ser fustigada por uma combinação de macro-mudanças (Anticiclone mais forte e expansão tropical) e micro-mudanças (mar mais quente e urbanização). O resultado é uma ilha onde os "dias de calmaria" estão a tornar-se um luxo do passado.

Sem vaidade, alguém que me leia que envie o texto ao secretário do Turismo para que se mexa com um Plano de Contingência sério para o aeroporto. O que são dias, passarão a semana de vento com o aeroporto fechado. Vá por mim, não ganho nada por esconder e dizer coisas bonitos. é que posso ser eu apanhado pela semana de aeroporto fechado, também o secretário.

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