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A sintonizar estações...

Hoje sou eu que faço fact-check aos ilusionistas da informação!

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Como todos os dia fui ver as notícias "fresquinhas" e dei comigo com uma forma manhosa de elogiar o Governo Regional e eu estou farto disto!

E

sta é uma análise que julgo pertinente para mostrar como o nosso jornalismo de propaganda funciona para receber Mediaram. Espero que entendam como esta notícia toca no nervo da política fiscal e da perceção pública na RAM. Esta notícia em um aproveitamento temporal na mecânica de fixação de preços.

O "trunfo" desta notícia reside na diferença de calendários entre arquipélagos porque, na Madeira, seguimos uma atualização semanal (todas as segundas-feiras). Isto permite que as subidas e descidas do mercado internacional sejam diluídas ou refletidas mais rapidamente. Nos Açores, seguem uma atualização mensal. O que vemos na notícia, aumentos brutais de 21 e 36 cêntimos, é o resultado de um mês inteiro de pressão acumulada que "explodiu" no dia 1 de maio!

Ao comparar um aumento semanal (Madeira) com um ajuste mensal (Açores), cria-se a ilusão ótica de que a gestão madeirense é mais "suave", quando, na verdade, os madeirenses podem ter estado a pagar mais durante as semanas anteriores enquanto o preço nos Açores estava estagnado.

A Madeira tem margem de manobra, embora o discurso oficial foque frequentemente na "inevitabilidade" dos mercados. É o habitual, notícias boas são de produção regional, as negativas são de todos os inimigos externos, incluindo o "Governo de Lisboa"

 Tal como o Governo da República, o Governo Regional da Madeira tem competência para fixar as taxas de ISP (Imposto sobre os Produtos Petrolíferos) dentro dos limites legais. A Região pode baixar o ISP para amortecer subidas, algo que já foi feito em períodos de crise aguda. O preço máximo é fixado por portaria conjunta. O Governo tem o poder de "apertar" ou "alargar" a margem que sobra para as gasolineiras e para a logística portuária. Por aqui, com certeza que você já se sente perto de um loby e um monopólio.

Os preços na Madeira são calculados com base na média dos preços de venda ao público no Continente (sem descontos) da semana anterior. Se o Continente sobe hoje, a Madeira só sente o impacto total na segunda-feira seguinte.

Para transformar esta notícia num elogio ao Governo Regional, a narrativa foca-se em dois pontos. O argumento de que o modelo semanal protege o consumidor de "choques" (como o dos Açores), omitindo que a subida gradual também dói na carteira.

Usar o título "Madeira volta a ter combustíveis mais baixos" como um selo de boa gestão financeira, ignorando que o custo de vida global na ilha (insularidade) pode anular essa pequena poupança no depósito.

A notícia é tecnicamente correta, mas contextualmente seletiva. É um exemplo clássico de como usar dados reais para criar uma perceção política favorável.

Dizer que a Madeira tem o combustível mais barato do país no momento exato em que os Açores acabam de fazer um ajuste mensal é como ganhar uma corrida porque o adversário parou para abastecer. É uma vitória de calendário, não necessariamente de estrutura de custos. O Governo Regional utiliza esta janela de oportunidade para reforçar a ideia de que a autonomia é bem gerida, "esquecendo" que, na semana anterior ou na próxima, a tabela comparativa pode não ser tão simpática. Aí já não farão notícia de capa.

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