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Nesta terra de regatas para o irmão, rali para o vice e golfe para elites, parece que estamos numa sociedade perfeita que distribui dinheiro para hobbies.
Então o Golfe é sustentável mas anda sempre a pedir dinheiro? Isto parece a APRAM numa área de lucro claro mas que precisa sempre de "injecções".
O golfe, desporto historicamente elitista e associado a um nicho de elevado poder aquisitivo, continua a receber tratamento de primeira classe por parte do erário público madeirense, portanto infraestrutura-se, paga-se o funcionamento e os prémios. Justifica-se o investimento com a habitual retórica da "promoção turística" e do "prestígio internacional", mas a verdade é que o cidadão comum, que paga os seus impostos, dificilmente encontra retorno direto ou justificação para ver quase 100 mil euros canalizados para patrocinar o passatempo de uma minoria privilegiada.
Somados os dois apoios institucionais à produção, transformação e escoamento de frutos, o valor total não chega sequer a metade do dinheiro injetado nos greens do Santo da Serra. Trata-se de uma inversão de valores gritante. Apoia-se o desporto de luxo com o dobro do orçamento concedido àqueles que trabalham a terra de sol a sol sob condições geográficas muitas vezes adversas.
Se no passado o financiamento de passatempos e ralis privados gerava suspeitas e investigações sobre as "jogadas" por trás das adjudicações, hoje as escolhas políticas são feitas à luz do dia, em plena ata de Conselho de Governo. E o que elas revelam é uma governação que prefere pôr o dinheiro público ao serviço do estatuto e do elitismo, deixando o setor produtivo real e as necessidades das populações locais em segundo plano.
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