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rémios pagos. A Madeira tornou-se um produto vendido até ao limite da capacidade. E é precisamente aí que começa o problema. Porque quando um destino vive em modo de saturação permanente, já não se trata de desenvolvimento, trata-se de exploração intensiva. Mais voos, mais camas, mais pressão. Sempre mais. Como se o território fosse elástico, como se as pessoas que lá vivem fossem apenas um detalhe logístico.
Entretanto, a realidade no terreno é outra. Rendas a subir como se fossem também turistas, sem bilhete de regresso. Jovens que não conseguem ficar, famílias empurradas para fora das zonas onde sempre viveram, serviços públicos a funcionar em esforço contínuo.
E há algo particularmente irritante neste modelo, a insistência em vendê-lo como inevitável. Como se não fosse uma escolha. Como se não houvesse decisões por trás de cada licença, cada incentivo, cada ausência de limite.
Porque há.
Opta-se por proteger o negócio em vez de proteger quem vive na ilha. Opta-se por celebrar resultados em vez de questionar consequências.
E depois vem aquele discurso, falso sempre o discurso. A garantia de que todos beneficiam, de que o turismo é para todos, de que o crescimento se traduz em qualidade de vida.
A realidade acumula-se nos preços, no desgaste, na sensação crescente de que a ilha está a ser gerida por dois loucos Miguel e Eduardo.
E isso tem um custo. Sente-se. Cada vez mais.
Quanto vale o sucesso, quando quem cá vive já não consegue fazer parte dele?
A Madeira está cheia de turistas, cheia de pressão e cada vez mais vazia para quem cá vive. Vazia de acesso a habitação, vazia de equilíbrio, vazia de qualquer ideia séria.
Mas continua-se a empurrar. Mais voos, mais camas, mais promoção. Sempre mais. Como se a ilha não tivesse um ponto de rutura. Como se as pessoas fossem apenas dano colateral aceitável num negócio que corre demasiado bem para abrandar.
E não, isto não é aceitável Miguel Albuquerque. É insistir no mesmo modelo mesmo quando os efeitos já são óbvios, preços fora de controlo, centros urbanos descaracterizados, vida quotidiana transformada num exercício de resistência.
Há quem esteja a ganhar muito com isto. E não são os madeirenses que trabalham, vivem e tentam ficar.
E o mais grave? Já nem se tenta disfarçar. A prioridade é manter a máquina a funcionar, custe o que custar. Mesmo que esse custo seja empurrar quem cá vive para fora do próprio lugar.
Isto não é desenvolvimento.
E quando uma terra começa a ser tratada assim, o povo acorda Miguel. E quando o povo acorda é melhor fugires porque a coisa está a ficar séria.
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