Percebo a lógica de construir mais "arrumando" os PDMs. Mais desastre a caminho para não parar a construção. Para provocar, quero dizer que o Bangladesh tem mais de 1100 pessoas por km², mas Singapura, a continental, tem 8500, é agora que seremos Singapura do Atlântico?
S
Fui autor deste texto (link) e não tiro um palavra, está certo o que disse, a área útil da Madeira para o turismo que temos, a quantidade, é uma catástrofe. É só esperar.
Para evitar responder à única questão que realmente importa, não vi nenhum comentário a rebater, só bocas, a capacidade de carga física e matemática de uma ilha com recursos finitos é uma realidade, a da Madeira.
No meu texto falei de que temos pouca área útil para tantos turistas e vejo os "cegos gananciosos" a argumentar que o problema é localizado, outros que basta dispersar os turistas pelas diferentes horas e zonas da ilha. A Madeira não é um elástico administrativo que se estica até ao infinito, é uma ilha com uma orografia ultra-específica e uma Área Útil de Território extremamente reduzida. Dispersar o fluxo não resolve o problema, apenas democratiza o caos. Se espalharmos 2,2 milhões de turistas por cada freguesia, cada miradouro recôndito e cada levada secundária, destruímos o último reduto de paz dos residentes e aceleramos a erosão ambiental das zonas protegidas (como a Laurissilva). Achar que a pressão ecológica e social desaparece se for "espalhada" é de uma ignorância geográfica gritante ou de uma má-fé gritante. O território tem limites físicos, a paciência dos madeirenses também.
O turismo de massa de baixo custo (as chamadas companhias low-cost) consome o território ao mesmo ritmo (ou superior) que o turismo de luxo, mas deixa uma pegada económica residual. Entupir os autocarros públicos (comprados com os impostos dos madeirenses), sobrecarregar o sistema de recolha de lixo e comprar uma sandes numa padaria de bairro não compensa o custo de manutenção das infraestruturas que eles degradam. O "pequeno negócio" não sobrevive da caridade de quem viaja de mochila às costas, sobrevive de uma economia local estável. Mas depois ainda tem o turismo de teleférico com o turismo a consumir em A e em B e a passar por cima dos outros. Ainda não se fartaram de ser enganados por crápulas com a mão no dinheiro público?
Tentar separar a crise imobiliária na Madeira da explosão do turismo e do AL é o cúmulo do cinismo intelectual de muitos e uma nova clivagem entre "madeirenses bons" e "madeirenses maus". O mercado habitacional rege-se pela lei da oferta e da procura. Quando milhares de fogos habitacionais que deveriam servir para os jovens casais madeirenses são convertidos em alojamentos turísticos porque o lucro imediato é maior, a oferta para os locais esmaga-se e os preços disparam. O residente está a ser expulso da sua própria terra por via económica. O turismo de massa não é um elemento neutro na economia, ele dita a inflação local. Dizer-se que a culpa é apenas da falta de planeamento, deitar culpas ao Eduardo (que as tem) é esconder como todos os carneiros imitam a fórmula de sucesso que desgraça a Madeira, claro que se defende a abertura descontrolada de mais camas enquanto se assobia para o lado, a casa arde.
Muitos tentam transformar um debate sobre sustentabilidade territorial numa guerra de classes empresariais. Para o residente que não consegue pagar a renda ao fim do mês ou que fica preso duas horas no trânsito da Via Rápida, é irrelevante se o excesso de gente vem de um hotel de 5 estrelas ou de um AL ilegal. O impacto no saneamento básico, no consumo de água e na perda de qualidade de vida é exatamente o mesmo. O debate não é sobre quem ganha o dinheiro; é sobre quantas pessoas a ilha aguenta sem colapsar.
Vejo que faltam argumentos técnicos, matemáticos e estatísticos, os ardilosos recorrem sempre à polícia da moralidade. Chamar "xenofobia" à exigência legítima de capacidade de carga e ordenamento do território é uma baixeza argumentativa. Os madeirenses não são xenófobos; são sobreviventes de um modelo que os transformou em cidadãos de segunda na sua própria terra. Criticar o volume de turistas não é odiar o estrangeiro, é amar a Madeira e querer defendê-la da autodestruição. É intelectualmente desonesto aqueles que por interesse ou serviço prestado, preferem ver a ilha ser vendida aos retalhos e os locais empurrados para a periferia social, desde que o negócio continue a faturar. Ainda não perceberam este jogo viciado, deixam-nos com baixos ordenados e depois veem estrangeiros comprar tudo, e isto é a nossa terra natal!
Se o turismo não tem limites, então não é desenvolvimento, é extrativismo. Muitos acham que o turismo pode crescer até ao infinito, a culpa do caos é sempre dos outros que não se organizam. Mas a matemática desmente-o. Onde o espaço é finito, o crescimento ilimitado é uma sentença de morte. Governar é escolher prioridades, e a prioridade têm de ser os madeirenses, não os recordes estatísticos de chegadas ao aeroporto. São os madeirenses que votam para ter um Governo a governar para si e não para oligarcas a consumir dinheiro público para vender a estrangeiros.
Quando ficar calado é que passei a esperar pelo desastre em vez de colocar em texto os avisos que acho que devo fazer. Aquele secretário do turismo é uma besta! Mas não o único, faz a mesma política "cativante" para o desastre.
Nota: é importante ler este texto ... (link)
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