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Turismo: podemos ter o corpo enfiado na areia, mas a cabecinha está de fora.

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O custo real de uma Madeira à venda.

F

alar de turismo na Madeira hoje já não é falar de economia, é falar de sobrevivência. O que estamos a viver não é um "sucesso estatístico", é uma implosão social programada. Ganhamos mal, o custo de vida é altíssimo, as casas inacessíveis e aturamos autênticos selvagens que parece as viagens de finalistas problemáticas para a costa mediterrânica espanhola. Ainda onde houve confusão da grossa

os jovens faziam barulho excessivo e envolviam-se em brincadeiras consideradas perigosas, chegando mesmo a saltar entre varandas do edifício, colocando em risco a própria integridade física. Os moradores terão alertado os jovens em várias ocasiões para cessarem os comportamentos, mas sem sucesso, o que levou ao acionamento da PSP.

  • https://www.jm-madeira.pt/ocorrencias/psp-poe-fim-a-disturbios-em-alojamento-local-no-funchal-IG20150282

Deixamos de ser um destino de turismo com categoria para sermos um destino de canalha dos Instagrams. E canalha vai aos 30  e 40. Eu tenho visto, passado e comprovado, não me dizem.

O madeirense, historicamente conhecido pela sua hospitalidade e respeito, está a ser empurrado para fora da sua própria casa por um modelo que trata a nossa terra como um tabuleiro de Monopólio. A hotelaria agora está em todo o lado com os ALs. Partilhamos ruas, edifícios, lugares, supermercados, vias, com um excesso de gente desrespeitadora, acham que pagar para estar de férias permite-lhes tudo por direito

Não há descanso, só problemas, transformámos bairros inteiros em dormitórios para estranhos enquanto os nossos jovens, com salários que a inflação regional de 3,3% devora, não conseguem alugar um quarto, quanto mais comprar uma casa. A habitação tornou-se um luxo inacessível porque o mercado prefere a rentabilidade do visitante ao direito ao teto do residente.

As nossas estradas colapsaram, os nossos trilhos (agora com portagens e reservas) parecem parques de diversões para quem vem de fora, e os serviços públicos sentem o peso de uma população flutuante que consome recursos sem repor o equilíbrio social. Vão às urgências tirar a prova.

Estamos a trocar a nossa autenticidade por uma versão "Instagramável" e plastificada da Madeira. O comércio local de bairro está a ser substituído por lojas de conveniência que servem apenas o circuito turístico. O Funchal está a ficar uma caricatura de resort, a fechar empresas com rendas que aumentam no comércio, a cada contrato e a cada ano, para expulsar quer cria também valor na economia.

Vendem-nos a ideia de que o turismo cria emprego, mas o que vemos é a perpetuação de empregos precários, horários desgastantes e salários que não permitem uma vida digna face ao custo de vida real na ilha.

O madeirense é respeitador, sim. Mas o respeito é uma via de dois sentidos. Chegaram aqui, invadiram o espaço vital, inflacionaram o pão, a água e a renda, e agora ainda têm o desplante de sugerir que quem reclama é "contra o progresso"? Não. Quem reclama é quem ama esta ilha o suficiente para não a querer ver transformada num parque temático exausto e sem alma.

Se isto for mentira, que o madeirense fique então com as narrativas dos aflitos gananciosos do overtourism. Aqueles que, no seu desespero por mais um trimestre de lucros recorde, não tencionam parar até que a última levada seja um tapete de betão e o último madeirense seja apenas um figurante no seu próprio cenário.

A escolha é vossa, ou defendemos o que sobra da nossa dignidade, ou aceitamos ser o bode expiatório da ganância alheia. Neste momento o madeirense não conta para nada, o poder decide e reparte entre os seus. Habituados a um povo que sofre em silêncio, este deveria ser mais um momento de "come e cala-te" mas não está a ser, exageraram.

E mais uma coisinha pela qual passei, vejo o PDM suspenso para muitos, mas o cidadão comum parece que tem de ser de novo o saco de pancada para frustrados que recebem ordem para viabilizar obras horrendas, abusivas nesta cidade.

E se acham que isto é um exagero é que não conhecem o que se passa sobretudo na rede viária, por exemplo, e garanto que isto está de uma maneira que animosidade vai chegar aos governantes que tiram o sossego, a qualidade de vida, que nos chamam nomes e que nunca quiserem saber de nós madeirenses.

Se o turismo que trouxeram não fosse rasca a festa da flor tinha outra categoria, está uma vergonha!

Com o turismo antes da Covid passamos bem, com este de agora, pelo menos eu, não o quero nem pintado.

Está mesmo bom para continuarem a massacrar as pessoas com narrativas para irritar mais um pouco. Assumam as culpas e resolvam. Tanto IVA que recebem e não ajudam em nada os madeirenses, só serve para pagar obras e manter os combustíveis caros. Estão a dar cabo da Madeira e dos madeirenses.

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