As alterações climáticas implicam mais catástrofes.
E
Num território de orografia impiedosa e recursos finitos, a gestão de uma emergência maior transformar-se-ia num caos ingovernável. Só imagino ruas fechadas, águas a transbordar e esta malta a ir para o aeroporto pensando que aquilo é um hub para se irem embora de hora a hora.
Se, em 2010, a resiliência e o conhecimento profundo da terra permitiram que os madeirenses se reerguessem entre a lama e o luto, hoje teríamos de lidar com uma massa humana de milhares de "baratas tontas", visitantes sem raízes, sem instinto de sobrevivência local e sem noção dos perigos das nossas ribeiras e encostas.
Há dias correu a foto da encosta da serra repleta de estrangeiros em fila indiana (trajecto do Pico do Areeiro/ Pico Ruivo), houve uma descrição perfeita, agora imaginem na ilha toda, esta estrangeirada no pânico do isolamento, escorreriam como areia entre os dedos de qualquer proteção civil. Nós não conseguimos controlar esta quantidade nos trilhos sem pânico, nós não temos plano de contingência no aeroporto, como vai ser numa emergência? Não se trata apenas de alojar ou alimentar; trata-se de controlar uma multidão que, ao contrário do povo residente que sabe onde pisar e como se entreajudar, tenderia a ignorar perímetros de segurança, a congestionar linhas de socorro por puro desnorte e a exigir privilégios de saída que a natureza, na sua fúria, não concede.
O impacto mediático e o colapso das infraestruturas de apoio seriam de tal ordem que a prioridade deixaria de ser o socorro às populações isoladas para passar a ser a contenção de um exército de turistas em pânico, provando que o turismo de massa, em caso de tragédia, não é apenas um problema económico, mas um multiplicador de mortes e um bloqueio fatal à capacidade de resposta de uma ilha que já é, por si só, uma fortaleza isolada.
O Presidente disse que não tinha dinheiro para repor o funcionamento de uma via importante a norte, vai colecionar estradas fechadas ou condicionadas para fazer política de vingança contra pessoas da oposição? Pense bem no que acabei de escrever. Acorde dessa arrogância.
Um abraço para as gentes da plataforma porque estão a fazer um serviço público excelente. Precisamos de verdade entre nós.
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