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O setor do turismo/hotelaria e a construção civil são, por natureza, indústrias de baixa produtividade e baixos salários. Ao canalizar os fundos europeus, o orçamento regional e os benefícios fiscais quase exclusivamente para a rota "novo hotel / nova via rápida", o governo regional cria um ecossistema económico onde a maioria dos empregos gerados paga o salário mínimo ou pouco mais. È aqui que se desadequa-se a oferta de emprego com a formação, por muito que Albuquerque se pavoneie digitalmente. Albuquerque é um reles fingidor, e não olha para a profunda alteração social da Madeira.
Um jovem madeirense que passe anos na universidade a qualificar-se não encontra lugar neste modelo. O resultado? A "fuga de cérebros" (emigração) em massa para o continente ou para o estrangeiro, onde o talento é pago de forma justa. O país e a região investem milhares a educar uma geração para depois a "oferecer" as economias europeias mais inteligentes. Mas, agora até o país chuta cavalo para o estrangeiro. Já tinha notado que daqui da Madeira vão diretos para a Europa central.
A manchete do JN de hoje diz que "só a imigração pode travar o colapso", mas a forma como a governação de Albuquerque lida com isto é o cerne do problema. Em vez de se forçar uma subida geral dos salários e uma melhoria das condições de trabalho para atrair e fixar os locais, o modelo económico da hotelaria e das obras prefere a via mais fácil, importar mão de obra vulnerável e barata de países terceiros. Albuquerque acha que todos vão ter as oportunidade dele, um arguido fugitivo a pingar.
Isto cria um ciclo vicioso de dumping salarial. Os salários na Madeira não sobem porque há sempre um fluxo de imigração disposto a aceitar as condições precárias que os jovens madeirenses, com toda a legitimidade, recusam. A imigração deixa de ser um complemento demográfico saudável e passa a ser uma ferramenta para manter as margens de lucro dos grandes grupos hoteleiros e da construção. Aí está o maravilhoso PIB do Albuquerque, o "genocida". E quem não consegue pagar casa com o vencimento ... rua em 24 horas. Gosto muito desta violência verbal, quem sabe se um dia retorna...
A hotelaria agressiva, o alojamento local desregulado e a especulação imobiliária associada expulsaram os jovens e as famílias madeirenses dos centros urbanos. Quem ganha salários médios na Madeira já não consegue comprar ou arrendar casa na sua própria terra. Se fica pela Madeira acaba por se distrair nos copos sem objectivos possíveis na vida. Ponham os vossos filhos fora da Madeira.
A política económica de Albuquerque está viciada no curto prazo. Destrói-se o território com cimento e promove-se um turismo de volume que esgota os recursos da ilha, enquanto se empurra a juventude qualificada para fora da Madeira. O Mediaram pinta-o como um verdadeiro herói de estufa.
A "solução" de substituir os locais por fluxos migratórios para manter os hotéis a funcionar e as obras a andar não é sustentável, é um penso rápido que esconde uma falência de visão estratégica. Uma governação que não consegue fixar os seus próprios jovens e que baseia a sua economia na precariedade laboral está, voluntariamente, a desenhar o colapso da sua identidade e do seu futuro.
Os meus pêsames a esta Madeira que é avisada e não se importa. Parabéns pela nova estrutura social de gente que nada tem a ver com esta terra, que derrota de outro para esta política, mas quando saírem estão com a vida garantida, burros são os madeirenses, os que ficam. A tua terra natal é a terra que te acolhe e dá futuro. Inimigo externo é só conversa de bandalhos.
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