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A Medicina não tem preço, mas parece ter cor política.

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Quo vadis Ordem dos Médicos?

S

ou profissional de saúde. Passo os meus dias nos corredores do hospital, não em sedes partidárias. Mas confesso que ouvir o Presidente do Governo Regional dizer, com todas as letras, que fazer exames "custa imenso dinheiro" e que não se pode fazer a toda a gente... doeu. E revoltou.

Vamos ser muito claros, quem prescreve exames complementares de diagnóstico são os médicos. Ninguém acorda de manhã e pensa "hoje vou pedir umas ressonâncias e umas análises só para gastar dinheiro ao sistema". Nós pedimos exames porque a ciência nos obriga a isso. Pedimos para não deixar escapar uma doença grave, para fazer um diagnóstico seguro, para salvar a pessoa que temos à nossa frente.

Para que uma crítica desta gravidade seja levada a sério, seria fundamental apresentar auditorias clínicas independentes, relatórios orçamentais rigorosos ou qualquer outra forma de escrutínio que validasse a tese do desperdício. Sem estes dados é uma mera manobra de diversão.

Torna-se evidente que a ausência de provas serve um propósito muito claro: atirar as culpas do subfinanciamento e da desorganização do sistema de saúde para cima dos profissionais. No fundo, é uma tentativa infeliz de responsabilizar a classe médica por uma má gestão cuja missão, e cujos cargos de decisão, pertence exclusivamente aos políticos e aos administradores por eles nomeados.

Ainda mais preocupante do que o ataque do Governo Regional é o silêncio ensurdecedor de quem deveria estar na primeira linha de defesa da profissão. Ao abster-se de intervir, a Ordem dos Médicos falha na sua missão mais elementar: defender a Legis Artis. A autonomia técnica e científica dos médicos para pedir os exames que consideram vitais não pode ser posta em causa por critérios puramente economicistas. Quando o poder político ataca desta forma e a Ordem se cala, é a própria segurança clínica que fica órfã de defesa.

Esta passividade não surge do nada e alimenta suspeitas muito válidas sobre a verdadeira independência da Ordem na região. A perceção gritante é a de que a instituição se encontra, na prática, sequestrada pelo PSD.

​As relações estreitas onde imperam os "amigos da casa dos governantes" criam uma teia de interesses que asfixia qualquer tentativa de contestação.

Esta promiscuidade entre o poder político e quem devia regular a profissão transforma a Ordem numa extensão dócil do governo, preferindo sacrificar a defesa acérrima dos médicos no altar da conveniência e da paz partidária.

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