Quo vadis Ordem dos Médicos?
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Vamos ser muito claros, quem prescreve exames complementares de diagnóstico são os médicos. Ninguém acorda de manhã e pensa "hoje vou pedir umas ressonâncias e umas análises só para gastar dinheiro ao sistema". Nós pedimos exames porque a ciência nos obriga a isso. Pedimos para não deixar escapar uma doença grave, para fazer um diagnóstico seguro, para salvar a pessoa que temos à nossa frente.
Para que uma crítica desta gravidade seja levada a sério, seria fundamental apresentar auditorias clínicas independentes, relatórios orçamentais rigorosos ou qualquer outra forma de escrutínio que validasse a tese do desperdício. Sem estes dados é uma mera manobra de diversão.
Torna-se evidente que a ausência de provas serve um propósito muito claro: atirar as culpas do subfinanciamento e da desorganização do sistema de saúde para cima dos profissionais. No fundo, é uma tentativa infeliz de responsabilizar a classe médica por uma má gestão cuja missão, e cujos cargos de decisão, pertence exclusivamente aos políticos e aos administradores por eles nomeados.
Ainda mais preocupante do que o ataque do Governo Regional é o silêncio ensurdecedor de quem deveria estar na primeira linha de defesa da profissão. Ao abster-se de intervir, a Ordem dos Médicos falha na sua missão mais elementar: defender a Legis Artis. A autonomia técnica e científica dos médicos para pedir os exames que consideram vitais não pode ser posta em causa por critérios puramente economicistas. Quando o poder político ataca desta forma e a Ordem se cala, é a própria segurança clínica que fica órfã de defesa.
Esta passividade não surge do nada e alimenta suspeitas muito válidas sobre a verdadeira independência da Ordem na região. A perceção gritante é a de que a instituição se encontra, na prática, sequestrada pelo PSD.
As relações estreitas onde imperam os "amigos da casa dos governantes" criam uma teia de interesses que asfixia qualquer tentativa de contestação.
Esta promiscuidade entre o poder político e quem devia regular a profissão transforma a Ordem numa extensão dócil do governo, preferindo sacrificar a defesa acérrima dos médicos no altar da conveniência e da paz partidária.
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