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A sintonizar estações...

Andam a esconder a pobreza real.

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Bom dia a todos.

Q

uero alertar que há mais uma jogada num matutino regional, é mais uma tentativa de anestesiar a consciência dos madeirenses através da manipulação estatística. Sob o título pomposo "Pobreza em forte queda em três décadas", um matutino regional recorre a uma parceria com o Instituto +Liberdade para desenhar um cenário idílico, uma pretensa taxa de pobreza nacional que seria inferior a 4% se congelássemos o limiar de subsistência no longínquo ano de 1994. Este malabarismo gráfico, focado exclusivamente na realidade abstrata de Portugal Continental e assente em dados macroeconómicos gerais do INE, serve um propósito político claro e desonesto, o de camuflar a realidade imediata e sufocante de quem vive, trabalha e empobrece na Madeira. Estes artifícios e omissões não são detectadas por todos, é importante não permitir este tipo de propaganda "inocente".

Começo a ver aflição, porque o PIB não é a única narrativa. Eles sabem que isto não está bem, não querem sair do seu bem bom, mas é preciso não perder eleições para continuar a amealhar.

Vender a ilusão de que a "esmagadora maioria das pessoas" vive hoje melhor do que há trinta anos porque o consumo aumentou é uma ofensa direta às famílias madeirenses. É preciso explicar muito bem! O artigo ignora deliberadamente a especificidade insular. De que serve ao cidadão comum saber que a pobreza nacional teórica baixou no papel se, na realidade prática da Região, o custo de vida é "pornográfico" e para alemão, americano ou russo sujo, os salários continuam esmagados e a habitação atingiu valores proibitivos? Ao tentar nivelar o debate pelas estatísticas gerais do país, tenta-se esconder que a Madeira lidera, consecutivamente, os piores indicadores de risco de pobreza e exclusão social após transferências sociais, mesmo no seio do panorama nacional.

Enquanto se sugere que a pobreza é um problema residual do passado, as ruas do Funchal e das periferias contam a história inversa, bancos alimentares sobrecarregados, uma classe média em vias de extinção e idosos a escolher entre comprar comida, ou medicamentos ou pagar a luz. Esconder a miséria regional atrás de métricas nacionais moldadas à conveniência do momento é um ato de profunda cumplicidade com o empobrecimento da nossa população. A Autonomia não se fez para justificar a nossa pobreza com o "progresso" dos outros, fez-se para combater as assimetrias que este tipo de imprensa agora tenta, vergonhosamente, branquear.

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