Bom dia a todos.
Q
Começo a ver aflição, porque o PIB não é a única narrativa. Eles sabem que isto não está bem, não querem sair do seu bem bom, mas é preciso não perder eleições para continuar a amealhar.
Vender a ilusão de que a "esmagadora maioria das pessoas" vive hoje melhor do que há trinta anos porque o consumo aumentou é uma ofensa direta às famílias madeirenses. É preciso explicar muito bem! O artigo ignora deliberadamente a especificidade insular. De que serve ao cidadão comum saber que a pobreza nacional teórica baixou no papel se, na realidade prática da Região, o custo de vida é "pornográfico" e para alemão, americano ou russo sujo, os salários continuam esmagados e a habitação atingiu valores proibitivos? Ao tentar nivelar o debate pelas estatísticas gerais do país, tenta-se esconder que a Madeira lidera, consecutivamente, os piores indicadores de risco de pobreza e exclusão social após transferências sociais, mesmo no seio do panorama nacional.
Enquanto se sugere que a pobreza é um problema residual do passado, as ruas do Funchal e das periferias contam a história inversa, bancos alimentares sobrecarregados, uma classe média em vias de extinção e idosos a escolher entre comprar comida, ou medicamentos ou pagar a luz. Esconder a miséria regional atrás de métricas nacionais moldadas à conveniência do momento é um ato de profunda cumplicidade com o empobrecimento da nossa população. A Autonomia não se fez para justificar a nossa pobreza com o "progresso" dos outros, fez-se para combater as assimetrias que este tipo de imprensa agora tenta, vergonhosamente, branquear.
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