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A sintonizar estações...

Do entretido Cafôfo ao apagão da Célia.

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mbora o partido continue a emitir notas de imprensa regulares e a reagir aos temas do dia a dia (como o pacote laboral, o novo hospital ou as regras da fisioterapia), a verdade é que perderam a capacidade de ditar a agenda política e de se posicionarem como o principal foco de oposição combativa. 

A malta estava cansada do entretido Cafôfo com as suas fotos lúdicas sem trabalho político feito, mas da Célia, pelo que já vimos em debates na TV e a sua seriedade, estávamos à espera de mais. Curiosamente, passado um tempo desde o congresso, percebemos que o Cafôfo, mesmo asneirando, tinha mais presença. O que se passa?

A transição de pastas e a reestruturação interna parecem ter anestesiado o partido. O PS trocou um estilo de oposição mais agressivo e mediático por uma postura que muitos analistas e eleitores consideram cinzenta, institucional e reativa. Em política, quem não morde e se limita a "alertar" ou "lamentar" por escrito acaba por se tornar invisível na antena pública.

Não se entende como é que o PS-M, depois de uns bons tiros nos pés do JPP, não ressurge. Os verdinhos ocupam, mesmo asneirando como Cafôfo, o espaço mediático, o espaço de "oposição de combate". A política não tolera o vazio, gera esquecimento, descrença, é preciso alimentar.

O PS-Madeira recolheu às boxes para se reorganizar e adotou um tom mais brando? O JPP vai assumindo as dores do eleitorado descontente com denúncias constantes, fiscalização agressiva e uma linguagem direta que o jornalismo modera com pequenas publicações. No entanto, é um partido repetitivo e o PS-M tem espaço para ocupar.

Para o cidadão comum que quer ver o Governo Regional encostado à parede, não vê oposição real, e o PS está na penumbra das formalidades parlamentares.

O PS-Madeira parece estar a sofrer de um bloqueio de identidade, ainda não reparou como é domesticado e minado pelo jornalismo, nem entende o poder das redes sociais. Dividido entre as dinâmicas nacionais do partido (e as recentes polémicas, como as buscas judiciais que envolveram instalações socialistas) e a necessidade de se afirmar na Madeira, a comunicação atual carece de alma e de rasgo. Há uma avalanche de comunicados técnicos, mas falta uma liderança que dê a cara com carisma, que inflame o debate e que faça o madeirense sentir que há uma alternativa de poder madura e vibrante.  

O PS-Madeira corre o risco de ser um partido meramente estatístico se não acordar do torpor do último congresso.

Anda por aí uma coelhinha muito mais combativa.

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