- https://www.jm-madeira.pt/regiao/chega-quer-mais-protecao-para-cuidadores-informais-NI20289325
A
queles que acompanham a política sabem perfeitamente que o discurso do Chega é frequentemente pautado por um tom ruidoso e por linhas ideológicas extremadas que dividem opiniões. No entanto, o verdadeiro debate democrático exige a honestidade intelectual de reconhecer o mérito quando as ações deixam de lado o espetáculo mediático e tocam nas feridas mais profundas da nossa sociedade.
A recente iniciativa parlamentar que recomenda ao Governo medidas urgentes de dignificação, proteção social e justiça contributiva para os cuidadores informais é o exemplo perfeito de como a política pode ser verdadeiramente útil. Ao trazer este drama para o centro da discussão, dá-se voz a uma das franjas mais desprotegidas e silenciosas.
Falamos de centenas de famílias na Madeira que, por amor e dever moral, anulam as suas próprias vidas, abdicando de carreiras e de si mesmas para substituir diariamente aquilo que deveria ser assegurado pelo próprio Estado.
Em termos práticos, estas pessoas poupam uma fortuna aos cofres públicos, assumindo nos ombros um fardo que deveria ser coletivo. Como bem lembra o partido nesta iniciativa, cuidar de um familiar dependente não pode significar empobrecer, perder direitos ou ser condenado à invisibilidade. A resposta da máquina pública a este sacrifício tem sido de uma ingratidão atroz. Em vez de apoio célere e dignidade, o cuidador informal esbarra numa muralha de burocracia kafkiana e, pior do que isso, numa humilhante teia de desconfiança institucional. São pilhas de papéis e critérios rígidos que parecem desenhados para cansar quem já está no limite da exaustão, tratando quem tudo dá quase como um suspeito que tenta "viver à custa" de uma proteção social que, na verdade, mal cobre as despesas básicas.
Quando os partidos políticos se despem da demagogia e se focam em resgatar estas pessoas do abandono e da indiferença da Segurança Social, todos saem a ganhar. O combate à burocracia cega e o reconhecimento do valor destas vidas dedicadas ao outro não é uma bandeira exclusiva de nenhuma fação, é uma urgência humana. Que este passo sirva para lembrar que a utilidade da política se mede, acima de tudo, na capacidade de fazer justiça a quem cuida.
Parabéns Francisco Gomes. Sem raiva, com amor ao próximo, sais-te melhor. Obrigada.
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