Type Here to Get Search Results !
A sintonizar estações...

Inoperacionalidade, Eduardo normalizou, mas cava a sepultura do turismo.

Moderação 0


A

 inoperacionalidade do Aeroporto Internacional Cristiano Ronaldo pode ser dado como crónica devido ao vento, um dos problemas estruturais mais graves que a Madeira enfrenta, e a insistência em gerir a crise na base do "esperar que o vento acalme" acarreta riscos profundos para o futuro da Região.

A piada dos textos do Madeira Opina está no facto do argumento mais importante do que as pessoas. Pela mania regional, fazem logo uma campanha para desacreditar. Vamos à análise.

Em minha opinião, quando os dias de caos se multiplicam, o impacto deixa de ser um mero "incómodo para turistas" e passa a ser uma ameaça à sustentabilidade económica e social do arquipélago. É quase o reverso da medalha do excesso de turismo ser excesso de carga para a ilha. Parece que a natureza arranja solução.

Lembro que a longo prazo, as companhias aéreas que funcionam todas à base de rentabilidade e rotação de frotas, cria um cenário crónico de despesa adicional. Isso provoca desinteresse. Manter aviões parados na placa, divergir voos para as Canárias ou Lisboa, para a origem, pagar alojamentos a centenas de passageiros e gerir tripulações retidas gera prejuízos milionários sem esquecer que ainda têm que dar solução aos clientes pendurados, mantendo a agenda diária da frota, é um inferno. Se a frequência de fecho do aeroporto continuar a aumentar, há um risco real das companhias (especialmente as low-cost) reduzirem frequências ou abandonarem rotas nas épocas do ano mais fustigadas pelo vento, encarecendo os bilhetes sobreviventes.

Mas quando não dá vento? Por minha conta já apanhei em fevereiro, início de Agosto, nas ferias da Páscoa, no Natal...

A Madeira tem investido no turismo de negócios, nómadas digitais e conferências internacionais. Ninguém arrisca marcar um congresso ou um evento internacional num destino onde metade dos convidados pode ficar retida num aeroporto algures. Quem arrisca embarques em cruzeiros?

O turismo da Madeira assenta na excelência (cof, cof, cof). No entanto, as imagens de milhares de pessoas a dormir no chão da aerogare, sem informação, sem vouchers e sem soluções rápidas, destroem anos de investimento em marketing num clique nas redes sociais. O viajante afetado por um cancelamento de três ou quatro dias raramente repete o destino. Pior, o cansaço e frustração transformam promotores da ilha em detratores.

A solução Porto Santo + navio rápido porque não avança? Existe outra ideia melhor? A ideia de utilizar o Aeroporto do Porto Santo (que raramente fecha por vento) conjugado com uma ligação marítima rápida de 45 minutos até ao Caniçal está inclusivamente prevista em traços gerais no Plano de Desenvolvimento Económico e Social (PDES Madeira 2030). No entanto, na prática, esbarra sempre na falta de execução política. 

As grandes barreiras para esta solução ser uma realidade são falta de uma embarcação adequada, uma tradição a Madeira. O atual navio que faz a linha (Lobo Marinho) demora cerca de 2 horas e meia a 3 horas na rota e não vai para novo. Em dias de temporal, o próprio "canal" entre o Porto Santo e a Madeira ruim de navegar. Para isto funcionar como um "transbordo aéreo", a Região precisaria de investir ou subsidiar um fast-ferry (catamarã rápido) dedicado ou pré-contratado para contingências, capaz de fazer a viagem em menos de uma hora. A gare do Porto Santo precisaria de uma ampliação e de uma estrutura permanente de alfândega/segurança capaz de processar o fluxo de várias aeronaves de grande porte em simultâneo (bagagens, controlos de passaportes), algo que hoje entope rapidamente o aeroporto da ilha dourada.

Atualmente, a responsabilidade civil e os custos de reencaminhar os passageiros caem sobre as companhias aéreas (por legislação europeia). Criar um plano público coordenado exige que o Governo Regional, a ANA/VINCI e as companhias partilhem custos de uma operação logística pesada (autocarros para o porto, barcos rápidos, taxas). Enquanto o jogo de empurra de responsabilidades continuar, finge-se que o problema é "apenas meteorológico". E atira-se, como é hábito, a culpa aos outros.

Precisamos de um novo secretário e equipa mais capaz, longe do cardápio de tachistas do partido.

Insistir que "tudo se resolve esperando" é uma estratégia ultrapassada para uma ilha que quer estar na vanguarda do turismo mundial. Sem um plano de contingência intermodal (Ar + Mar) que use eficazmente o Porto Santo como a verdadeira extensão aeroportuária da Madeira, a Região arrisca-se a ver a sua principal porta de entrada tornar-se o seu maior ponto de estrangulamento.

O que acha? A solução passará alguma vez por uma verdadeira imposição pública à concessionária do aeroporto (ANA), ou continuaremos reféns da boa vontade das companhias aéreas em gerir o caos?

Pagamos taxas aeroportuárias para quê? E a taxa turística serve para quê?

Enviar um comentário

0 Comentários
* Sujeito a moderação. Seja cordial, educado e não faça spam.