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Já repararam na cadência de crises que temos? Nem nos deixam respirar e esta é artificial por culpa de um líder cuja autoridade formal excede largamente a sua capacidade cognitiva e discernimento estratégico.
Para quem tem salários estagnados e contas de supermercado inflacionadas, o aumento das taxas de juro não é uma ferramenta técnica para controlar a inflação, é sim um assalto direto ao orçamento familiar. É ver a prestação da casa subir, o crédito encarecer e o dinheiro desaparecer antes de o mês chegar ao fim, tudo isto enquanto os bancos batem recordes históricos de lucros sobre as margens financeiras.
Hoje em dia não é preciso ser irresponsável ou incapaz para chegar à falência pessoal. Já foi assim nos últimos 15 anos e a estratégia de levar barato os bens das pessoas prossegue pelo grupo de canalhas que comandam o mundo. Depois digam que ficamos extremistas com esta sementeira de políticos que não defendem o eleitor, antes são peões de interesses maiores. Acreditem, esta sensação de sufoco continuado e de impunidade cria o terreno fértil perfeito para a revolta.
O chamado "extremismo" ou a radicalização do discurso não nascem no vácuo. São, na verdade, o reflexo de uma sociedade exausta de ser usada como amortecedor de choques económicos. Chamar extremista a quem está desesperado por ver o seu esforço diário ser engolido pela ganância do mercado é ignorar a raiz do problema. Quando o sistema económico se torna radical contra as famílias, as respostas das famílias acabam por se radicalizar contra o sistema. É a ganancia que alimenta o radicalismo.
As crises são provocadas pelos ricos para serem mais ricos.
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