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A sintonizar estações...

Paulatinamente gentrificação e descaracterização.

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Tiraram o gado da serra e trouxeram outro pior.
Grandes governantes estes que temos!

C

omo sabem, antes da Covid havia turismo e não era preciso vedação, havia civismo. Depois do turismo rasca não há outro remédio, mas o Fanal já é parque e não floresta. Quando um santuário natural precisa de 1,2 quilómetros de vedação ovelheira galvanizada, portões de entrada e saída, e zonas marcadas para sobreviver à pressão humana, deixa de ser uma floresta livre e selvagem. Passa a ser, efetivamente, um parque temático ao ar livre. As fotos agora serão diferentes, paisagem industrializada.

A notícia do jornal deixa claro que esta intervenção do IFCN serve para delimitar e controlar os fluxos de visitantes, reconhece a quantidade e o problema. É o resultado direto desse "turismo de massas" que obriga a gerir a Laurissilva como se fosse um museu ou um recinto fechado, sob o argumento de garantir uma "experiência mais qualificada" para proteger o património. É consequência dos erros deste secretário regional Eduardo Jesus e da sua equipa.

Há locais que tiram o fôlego pela sua imensidão e pelo silêncio intocado. O Fanal sempre foi esse espelho místico da Madeira, um reduto de paz onde os centenários e o nevoeiro ditavam as regras. Mas o avanço do turismo desregrado, aquele que consome os locais apenas pela pressa de uma fotografia instantânea, cobrou o seu preço. O remédio chegou, mas o diagnóstico é triste, o Fanal já não é uma floresta, foi transformado num parque.

Quando é a guia de marcha para Eduardo Jesus? Precisamos de corrigir os seus erros e devolver a Madeira aos madeirenses. Quando podemos ir ao Pico do Areeiro? No dia de Natal? E ao Fanal? Na passagem de ano?

A instalação de mais de um quilómetro de vedação para criar um circuito fechado com "entradas e saídas controladas" é o reconhecimento oficial de que falhámos na educação e na preservação espontânea. Falhamos na escolha do turista. A natureza precisa de limites físicos e de metal galvanizado para não ser espezinhada, acabou o selvagem natural para ordenar os selvagens do Instagram. Fechem a boca os que não gostam de ler, é literalmente verdade. Aquilo que antes era um ato de descoberta e comunhão com o meio ambiente passa a ser uma visita guiada e formatada, completa com pontos de paragem estratégica para a fotografia perfeita das redes sociais.

Isto é a domesticação ou a industrialização da Laurissilva? Protege-se o património, sim, mas sacrifica-se a liberdade da paisagem para acomodar um modelo de exploração que esgotou os limites do bom senso. O Fanal sobrevive vedado, mas a Madeira dos locais, aquela que se sentia livre por entre o nevoeiro, ficou irremediavelmente do lado de fora.

A Madeira tão tua, não é verdade? E hoje há um fórum sobre a defesa da floresta para os culpados nos darem lições.

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