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Os Putins da terra.

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Q

uando vi este comentador e o título pensei logo na lata de Putin sobre crimes de guerra dos Ucranianos em solo russo, agora que a Ucrânia começa a virar a contenda. O PSD, governantes, ao longo de 50 anos, têm um extenso historial de insultar pessoas agora vem este militante pedir respeito quando ninguém foi tão longe como o PSD-M. Deputados, oponentes, primeiros-ministros, presidentes da república, autarcas, etc, de tudo vi. Tem piada quando tem horas que salvaram o Eduardo Jesus de ir responder pelos "Gaja", "palhaço mór", "burro do c@#@%$#", "bardamerdas".

A leitura da crónica de Tiago Miguel Freitas, intitulada precisamente "Respeitem-nos!", carrega consigo uma ironia histórica que salta à vista de qualquer pessoa que conheça o percurso político da Região nas últimas cinco décadas.

O autor ensaia uma defesa de Miguel Albuquerque e do PSD-Madeira (PSD-M), aplaudindo o braço de ferro com a direção nacional de Luís Montenegro e exigindo "respeito" por parte de Lisboa face aos dossiês pendentes (como o subsídio de mobilidade, o financiamento da saúde ou a Lei das Finanças Regionais). Tudo isto é teatro para desculpar o governo próprio da Madeira, a República que aprenda não não pegar em assuntos da ilha, nem de um governo do mesmo partido.

Ao usar o argumento de que "se não dissermos basta, simplesmente não nos respeitam", o texto esquece convenientemente que, se há força política na Madeira que fez da falta de respeito, do insulto e da humilhação pública uma arma de arremesso político quotidiano, essa força foi o próprio regime do PSD-M.

Exigir respeito institucional a Lisboa quando o partido que governa a Madeira há 50 anos tratou a oposição interna, os jornalistas livres, os ambientalistas e qualquer cidadão crítico como "traidores à pátria regional" é, no mínimo, um exercício de amnésia seletiva.

O tom queixoso e vitimizador da crónica, que tenta colar a imagem de Albuquerque a uma espécie de "Madeira First" (como refere o autor), colide frontalmente com o passado de truculência verbal do próprio partido. O PSD-M exige de Lisboa uma postura de Estado que nunca soube aplicar dentro de portas aos seus concidadãos.

É impossível analisar o presente sem lembrar o criador do modelo. Durante quase quatro décadas, as mentes pensantes e os decisores da Região habituaram-se a que o topo do poder tratasse quem discordava com os piores mimos:

  • Aos opositores políticos: "Bando de imbecis", "cretinos", "coitados", "asnos" ou "lacaios de Lisboa".
  • À comunicação social não alinhada: "Jornaleiros", "comunistas vestidos de jornalistas" ou alvos de boicotes publicitários estatais para sufocar economicamente os meios independentes.
  • Ao povo que votava diferente: Diabolizar concelhos inteiros quando a oposição ganhava uma câmara municipal, ameaçando fechar a torneira do investimento regional em jeito de castigo.

Embora Albuquerque tenha surgido com uma imagem inicialmente mais polida, a matriz do regime nunca mudou. Sempre que o poder é beliscado, seja por investigações judiciais, seja por críticas da sociedade civil, a resposta padrão do atual presidente e dos seus secretários regionais passa pelo ataque ad hominem, pela sobranceira e pela menorização dos críticos, apelidados frequentemente de " frustrados" ou "inimigos do progresso da Madeira". Ninguém foi tão longe a insultar um Presidente da República como Albuquerque em congresso, Jardim ficava-se pelo Sr Silva.

A crónica queixa-se amargamente do centralismo de Lisboa e da forma como os deputados madeirenses são alegadamente silenciados na Assembleia da República (apelidando o episódio de "lei da rolha"). Quando houver novas legislativas nacionais votará em quem?

No Parlamento Regional (ALRAM), o PSD-M utilizou a sua maioria durante décadas para chumbar sistematicamente todas as comissões de inquérito propostas pela oposição, menorizar o debate democrático e silenciar as vozes críticas da Região.

Criticam o esganamento financeiro de Lisboa à Madeira, mas aplicaram exatamente a mesma receita aos municípios e freguesias que ousavam não ser do PSD, asfixiando-os financeiramente.

O artigo de Tiago Miguel Freitas é o reflexo de um partido que se habituou a gritar para fora aquilo que nunca praticou para dentro. Exigir respeito a Luís Montenegro ou ao Estado português enquanto se lidera um regime construído com base na intimidação verbal, no insulto gratuito e na divisão entre "bons e maus madeirenses" é incoerente. O PSD-M não quer respeito, quer imunidade política e financeira para continuar a gerir a Região ao seu estilo, sem prestar contas nem a Lisboa, nem aos madeirenses que continuam a ver a sua serra, a sua economia e a sua democracia a serem geridas como quintais privados.

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