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Vem ou não vem? É hoje?

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Há uma semana que o JM anuncia Mitchell van der Gaag e o DN anda calado (parece ironia), o JM já parece o Trump a anunciar o fim da Guerra com o Irão. Espero que se venha a concretizar a contratação do neerlandês para técnico do Marítimo, porque senão vai passar vergonha. Mas, se tiver razão, é mais uma mostra que apesar da propaganda faz melhor jornalismo.

Este "braço de ferro" informativo entre o JM e o DN reflete dinâmicas que distingue os dois, por incrível que pareça, um arrisca tudo na manchete para marcar a agenda e faturar o "furo" jornalístico, o outro prefere o silêncio estratégico, seja por prudência, seja para o estado de graça, seja por não querer dar palco à narrativa do concorrente enquanto não houver o papel assinado. Se a contratação cair, o JM sofre um rombo tremendo na credibilidade; se se confirmar, o DN fica a reboque da atualidade.

O que poderá estar a empatar o anúncio?

A promessa da direção liderada por Carlos André Gomes era fechar o dossiê do sucessor de Miguel Moita até 15 de junho (hoje). Se a novela se arrasta há uma semana, existem "letras miúdas" complexas a ser discutidas nos bastidores.

Van der Gaag habituou-se aos padrões de elite do Manchester United e do Ajax. Ele não vem sozinho. O impasse reside frequentemente na quantidade de adjuntos, observadores e preparadores físicos que o treinador exige trazer da sua confiança, chocando com o orçamento da SAD ou com os técnicos que o Marítimo já tem nos seus quadros fixos.

Depois de garantir a subida de divisão, o Marítimo precisa de ser reformulado para se consolidar no escalão principal. Um treinador com o perfil de Van der Gaag não aceita ser um mero "treinador de treino", exige garantias financeiras e desportivas de que a SAD vai investir em reforços com estofo de Primeira Liga. Discutir quem sai, quem entra e que orçamento há para salários leva tempo.

Fala-se de um contrato longo, válido até 2028. Um vínculo de dois ou três anos com um técnico valorizado internacionalmente envolve cláusulas de rescisão pesadas (de parte a parte) e prémios de objetivos (manutenção, competições europeias) substanciais que requerem engenharia financeira minuciosa por parte da SAD.

O treinador tem a sua base familiar estabelecida e os seus filhos a jogar no continente (Leiria e Louletano). Mudar a estrutura logística e acertar os moldes fiscais de um ordenado que vem tabelado por padrões internacionais para a realidade da contabilidade de um clube português é sempre um processo lento.

O JM jogou forte e pôs as fichas todas no pano. No futebol moderno, um negócio "quase fechado" pode cair por causa de uma comissão de agente ou de um detalhe de habitação. Se o JM acertar, prova que tem as fontes certas no topo da SAD e limpa a face face à máquina promocional do costume. Resta esperar para ver quem vai passar a vergonha ou reclamar a vitória jornalística.

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