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Cultivar moluscos não é o mesmo que ter peixes em gaiolas marinhas dependentes de rações industriais. A lapa alimenta-se de algas e do que a própria água oferece, em ambiente controlado, o processo passa essencialmente por garantir as condições ideais de reprodução e crescimento. Em termos de saúde pública, o controlo rigoroso sobre a qualidade da água em viveiro pode, inclusive, reduzir o risco de contaminações por toxinas marinhas que por vezes afetam o marisco selvagem.
No entanto, o ceticismo da população não nasce do nada. O verdadeiro problema não é a biologia, é a gestão e a prioridade política. A questão que a Madeira deve colocar é outra:
Este projeto serve para aliviar a pressão sobre as populações selvagens e apoiar a economia local de forma sustentável, ou é apenas mais um pretexto para entregar a exploração do mar a um punhado de privados?
Garantir-se-á que a lapa de cativeiro não serve de desculpa para abandonar a fiscalização da apanha ilegal na nossa costa?
O consumidor vai continuar a ter acesso a um produto de qualidade a preço justo, ou estamos a financiar a investigação pública para depois pagar o marisco a preço de ouro?
Investir na ciência e na preservação de espécies é um caminho inteligente para uma ilha. Mas a confiança não se conquista com propaganda nem com o desdém de quem questiona. Conquista-se com transparência total na monitorização ambiental, escrutínio nos apoios públicos e garantias claras de que a nossa costa e a nossa saúde continuam em primeiro lugar.
Albuquerque "pariu" finalmente uma boa ideia? Qual é a vossa opinião?
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