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A sintonizar estações...

O DN descobriu como atenuar os problemas dos hospitais regionais?

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Na Venezuela! Aqui a Saúde não é "socialista".

A

 edição do Diário de Notícias de hoje mostra um contraste editorial sintomático que convida a uma reflexão profunda sobre as verdadeiras prioridades do jornalismo regional e a sua relação com o poder político. Já ouvi falar em censura sobre o que se pode escrever sobre a Saúde na região, há jornalistas que devem saber o destino das suas peças... 

Ao mesmo tempo que as páginas interiores revelam um cenário alarmante no Serviço de Urgência do Hospital Dr. Nélio Mendonça, com relatos de mais de duas dezenas de doentes internados em macas nos corredores, rutura de serviços e profissionais de saúde à beira de uma greve de zelo, a manchete principal e o grande destaque visual e de recursos são canalizados para uma reportagem alargada sobre as fragilidades do maior hospital público da Venezuela. Esta discrepância na relevância dada aos problemas de saúde pública regional levanta questões legítimas sobre o critério jornalístico, parecendo secundarizar uma crise severa que afeta diretamente os cidadãos madeirenses em prol de um cenário de contornos dramáticos além-mar que, embora relevante devido à forte ligação comunitária, desvia o escrutínio daquilo que corre mal na própria Região Autónoma. O DN-M parece que também se vai esquecendo dos madeirenses, é contágio de Albuquerque?

Esta opção de cobertura internacional levanta também uma inevitável celeuma em torno dos custos e do financiamento das deslocações jornalísticas num período em que os media enfrentam restrições orçamentais severas. O envio de um jornalista à Venezuela para documentar uma "tragédia contínua" exige um investimento financeiro considerável que contrasta fortemente com a aparente escassez de jornalismo de investigação focado nas dinâmicas e nos dinheiros públicos regionais. Tanto para investigar aqui mesmo e assobia-se para o lado. É triste se ter como proprietários as fontes das notícias. Mas, fica no ar a incómoda e pertinente questão de saber quem financiou a viagem do repórter, em plena falência técnica, gerando uma névoa de dúvida sobre se os escassos recursos do próprio jornal foram esticados para esta cobertura ou se existiram apoios externos que pudessem comprometer, direta ou indiretamente, a independência editorial que deve pautar a imprensa livre. Se calhar quando se queixam por falta de meios para cobrir todos os partidos em campanha eleitoral estes devam ir para a Venezuela fazer campanha.

Mais do que uma mera reportagem humanitária ou de interesse público para a vasta diáspora luso-venezuelana, a presença do enviado do jornal coincide e serve de palco para a promoção de ações de proximidade de representantes do Governo Regional que se encontram no terreno. Torna-se percetível que a cobertura acaba por funcionar como uma eficaz caixa de ressonância e uma ferramenta de propaganda política, deitando luz sobre figuras governamentais que, apesar de não deterem autoridade direta nem competência executiva para a decisão ou desbloqueio de apoios estruturais substanciais àquela comunidade, beneficiam de uma exposição mediática altamente favorável e desprovida de um contraditório robusto. O jornalismo, ao moldar as páginas desta forma, abdica em parte da sua função fiscalizadora para assumir um papel de acompanhante institucional, validando agendas políticas em detrimento de uma análise fria e rigorosa.

A arrumação gráfica e editorial observada acaba por roçar uma ironia involuntária, onde os problemas crónicos que corroem as Urgências e o sistema de saúde regional na Madeira, vivenciados diariamente pela população local, parecem necessitar de um esforço acrescido de visibilidade que é prontamente concedido a realidades externas. Enquanto os médicos e enfermeiros locais confirmam dias de trabalho penosos e o descontentamento geral cresce nas infraestruturas de saúde do Funchal, o foco principal é estrategicamente direcionado para lá das fronteiras da ilha.

Esta dinâmica enfraquece o papel do jornal como o quarto poder na Região Autónoma, demonstrando como as prioridades informativas podem ser subtilmente redefinidas e como o escrutínio interno pode ser atenuado quando as atenções são captadas por crises noutras latitudes.

Agora de acabou o "futebol" o editorial terá que usar novas bombas de fumo. Temos o governo mais incompetente de sempre e não parece. É a gestão de perceções. A oposição tem um bando de patetas alegres, deixam-se na onda, comunicados de imprensa mastigados pela mesmos que tratam as notícias de dois hospitais, cá e lá, dando notoriedade a quem nem pertence à Saúde.

Não se esqueça de ver a injeção de capital, esperemos que sim, borlas matam...

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