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Mas também precisamos de outra coisa: transparência.
Nos últimos dias foi amplamente divulgado o investimento realizado no antigo Cinema João Jardim, hoje transformado no IMOM – Museu Imersivo da Madeira. Segundo a informação tornada pública, o projeto é promovido pelos empreendedores Irina Jardim (Irina Pascu Jardim), Mirel Olaru, Nicu Buriu, Florin Niculae, Matei Dersidan e Enis Husein.
A notícia despertou-me uma curiosidade simples: quem são estes investidores?
Resolvi fazer aquilo que qualquer cidadão pode fazer. Pesquisar.
Encontrei uma empresa criada em 2025, com um capital social de 1.000 euros, associada a um investimento que, pela dimensão do projeto apresentado ao público, aparenta ser muito superior ao capital inicial declarado. Naturalmente, isto não significa qualquer irregularidade. Muitas empresas financiam os seus projetos através de empréstimos, suprimentos dos sócios ou outras formas de financiamento perfeitamente legais. Mas, cheira a esturro…
Procurei então conhecer melhor o percurso empresarial destes seis investidores.
A surpresa foi outra: existe muito pouca informação pública sobre eles. Não encontrei um histórico empresarial amplamente documentado, grandes grupos económicos associados aos seus nomes nem processos judiciais públicos relevantes. Da mesma forma, não encontrei qualquer evidência pública que permita associá-los a atividades ilícitas.
E é precisamente aqui que surge a verdadeira questão.
Numa Região que, nos últimos anos, tem sido sucessivamente marcada por investigações relacionadas com corrupção, tráfico de influências e favorecimentos, não deveria existir uma cultura de maior transparência relativamente aos grandes investimentos privados?
Não estou a sugerir que exista qualquer ilegalidade neste caso. Não encontrei elementos que permitam fazê-lo, e seria irresponsável afirmá-lo.
Mas será assim tão descabido perguntar:
- Quem são Irina Jardim, Mirel Olaru, Nicu Buriu, Florin Niculae, Matei Dersidan e Enis Husein
- Qual é o seu percurso empresarial?
- Qual é a origem dos capitais investidos?
- Como foi estruturado o financiamento deste projeto?
- Existem mecanismos de verificação e escrutínio quando investimentos desta dimensão chegam à Madeira?
Estas perguntas não afastam investidores sérios. Pelo contrário. Quem investe legitimamente não deve recear perguntas. Quem governa também não.
A confiança constrói-se quando existe abertura para responder, e não quando se espera que os cidadãos aceitem tudo sem questionar.
Perguntar não é acusar. Exigir transparência não é criar suspeitas.
É apenas exercer cidadania.
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