No futebol, não adianta chorar.


H á pouco mais de 26 anos, Alberto João Jardim (AJJ), então presidente do Governo Regional da Madeira (GRM) e na plena posse das suas faculdades mentais, propunha que, pelo menos no futebol, os clubes mais representativos da Região se unissem num único projecto de modo a, simplisticamente, potenciar os apoios financeiros públicos e criar sinergias que alcandorassem a ilha a patamares nunca antes alcançados, ao nível da classificação no campeonato nacional da I divisão de futebol: ser campeão! E se as “necessidades” dos “ddt” do pontapé na bola insular ficaram facilmente supridas (o dirigente do Marítimo seria o presidente da SAD a criar e os outros dois – do Nacional e do União – seriam vice-presidentes), a arrogância, a empáfia, o pedantismo e a sobranceria do, na altura, verdadeiro DDT (o de agora não lhe fica atrás...), julgando que bastava ele ordenar para que o “rebanho” que sempre o tinha seguido obedecesse, fez abortar uma ideia que talvez tivesse mudado o futuro do desporto regional, nomeadamente o futebol. Pela primeira vez (que se saiba; nesta perspectiva, o estaladão não vale), AJJ teve de engolir o orgulho e sair “pela esquerda baixa” quando apareceu no estádio dos Barreiros a contar com (mais) um facto consumado. Em vez disso, continuaram a ser injectados milhões de euros do dinheiro público num sorvedouro que só beneficiava alguns, mas, não obstante isso, nos clubes insulares continuava o descalabro desportivo. De descalabro em descalabro, chegámos a 2023. O União da bola “desapareceu”; o Nacional passa “as passas do Algarve” para se manter na II divisão de Honra e o Marítimo, 38 anos depois, volta a ser relegado para um patamar onde, acredito, nem os seus detractores, gostariam de o ver. Perdeu-se, na altura, uma oportunidade de ouro para mudar mentalidades e práticas menos transparentes. Talvez se consiga encontrar outra, desta vez...

A concentração de várias equipas de futebol (uma, duas, três...) numa só, para disputar a subida à I divisão e, posteriormente, lutar pelos primeiros lugares do campeonato principal seria a solução ideal para acabar com muitos problemas que agora assolam os clubes desportivos do arquipélago. Nomeadamente, a falta de liquidez para comprar e pagar a atletas profissionais de grande qualidade; a falta de dinheiro para manter, nas mínimas condições de uso, as dezenas (centenas?) de instalações desportivas que existem em apenas duas ilhas; a falta de "pilim" para satisfazer inúmeros grupos de dirigentes “profissionais” que sempre viveram da teta “desportiva”; a falta de €€ para deslocações, estadas, alimentações de várias comitivas que semanalmente têm de se deslocar ao rectângulo para cumprirem as suas obrigações de calendário. Com menos “sanguessugas” a esmifrar o dinheiro público, mais sobraria para modalidades amadoras, que tanto têm honrado a Região, mas que precisam de se reinventar (“esmolas”, leilões, rifas, “crowdfundig”, ...) para os seus atletas poderem participar nas competições externas para que são apurados.

É chegado o momento de ultrapassar os “bairrismos” desportivos (pelo menos, os futebolísticos), ou, dificilmente, algum clube de futebol madeirense conseguirá, nos próximos tempos (anos) voltar a enfrentar FCPorto, SLBenfica ou SportingCP, sem ser através dos caprichos dos sorteios da Taça de Portugal ou da Liga.

Uma única equipa, congregando todos os meios financeiros que agora se dispersam por sabe-se lá quantas, teria todas as possibilidades de construir um projecto de futuro com uma estrutura sólida e fiável. Seria só vantagens. Bons jogadores, treinadores de excelência, estádio (sim, bastava um!) cheio em todos os jogos, toda uma Região a defender em uníssono um seu representante, que, com os previsíveis bons resultados domésticos, conseguiriam, em poucos anos, catapultar esses êxitos para competições europeias, com a consequente projecção da imagem da Região e a divulgação e aumento da “actratividade” da Madeira.

Não defendo que se eliminem todos as outras agremiações clubísticas (mais de 120!!!), que têm desenvolvido muito e valoroso trabalho ao nível da formação desportiva, e não só, dos jovens e menos jovens da RAM. São úteis e necessárias, mas deverão manter a sua característica amadora (não obstante precisarem de apoios para desenvolverem as suas actividades). Tudo o que fosse profissional, seria fundido numa única equipa/sociedade desportiva (andebol, basquetebol, ténis-de-mesa, etc...), e poupavam-se milhões de euro que poderiam ser canalizados ainda para o desporto, mas para outros projectos mais viáveis.

Sim, eu sei que é uma proposta polémica e, quiçá, utópica, mas não vejo outro modo de, pelo menos o futebol madeirense, sair do buraco em que se meteu. Mesmo que seja necessário algum tempo para pôr em prática um projecto destes, é preciso começar algum dia. Se tivesse sido há 26 anos, talvez a realidade actual não fosse esta. Uma nogueira só dá frutos 5 a 10 anos após ter sido plantada; atinge o seu pico de produção aos 30 anos; mas é preciso plantá-la!!!

E não percam tempo e “latim” a insultar-me. Apresentem objecções e alternativas.

Fernando Letra

Enviado por Denúncia Anónima.
Terça-feira, 13 de Junho de 2023
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