H á muitos anos que eu consumo água de rega em casa para os terrenos, é sempre a mesma quantidade e o mesmo tempo, mas nem sempre a levada cumpre com o pago. No entanto, o preço tem vindo a aumentar de forma colossal, estão a chegar as facturas para pagar, e que facturas!
Começo a suspeitar de subsídio cruzado, os particulares estão a subsidiar o custo da água para outros fins (como o golfe ou o turismo) no contexto deste aumento colossal. Quando o preço de um recurso essencial aumenta drasticamente para um segmento (agricultura/particulares) num contexto de crescimento de setores que são grandes consumidores desse recurso (turismo, piscinas), levantam-se questões sobre a política de tarifação e a equidade na distribuição de custos.
Envio para a plataforma do Madeira Opina a cópia de 3 facturas da água de rega da ARM, de 2023, 2024 e 2025 para confirmarem, mas não desejo a publicação. Sempre a mesma quantidade e tempo de água em 2023 custou 27,51€, em 2024 passou para 38,04€, um aumento de 38,27%. Neste ano, o valor para a mesma água de rega voltou a subir para 132,89€, é mais 249,34% em relação ao ano anterior e mais 383,06% em relação ao valor de 2023.
383,06% em dois anos!
Assim, a JPP falhou nos cálculos que lhe deu 151%, o Polígrafo que confirmou a JPP falhou (link) e o Governo Regional mentiu descaradamente, sou eu que pago e tenho as facturas.
Com este valor, Miguel Albuquerque e o senhor Amílcar Gonçalves da ARM estão a desincentivar a agricultura e a autossuficiência na Madeira, possivelmente priorizando as necessidades hídricas do crescente setor turístico, que consome grandes volumes de água (hotéis, campos de golfe e piscinas particulares). Vão extinguir a agricultura na Madeira para entregarmos os terrenos para a construção e para o golfe. Que não rebente uma guerra para que todos comam betão.
A água, a terra e o clima eram as únicas dádivas do nosso arquipélago; sementes, adubos e pesticidas vinham de fora. Agora, com as opções do GR, a água passou a ser um luxo, culpa da construção/imobiliárias e do excesso de turismo. Existe sim insustentabilidade e é o madeirense a pagá-la.
