D izem por aí que a generalidade das pessoas consome mais acidentes, confusões, brigas, conflitos, curiosidades, entretenimento etc, nas suas opções de notícias, e muito pouco artigos de fundo que lhes explicam as coisas. Parece que a vida é um filme com o imediatismo das redes sociais e as explosões dos filmes que mantêm os espectadores presos. Um programa calmo e de formação tem pouco sucesso. Ponho-me a fazer zapping no pacote da TV Cabo e vejo programas completamente estúpidos e canais desvirtuados, com espíritos, enigmas, drogas e carros sem fim. Com certeza que é a formula de sucesso para a sociedade que temos.
Às vezes parece-me que a maioria das pessoas acha a realidade com videojogo, um entretenimento, por mais chocante e real que seja a vivência. Parece que julgam que desligam pelo comando e o problema que criaram desaparece.
Eu entendo o apoio dos jovens a André Ventura, mas pergunto se sabem o resultado da extrema-direita ao longo da história, ou se os exemplos atuais são atrativos. Não valorizam a liberdade? Eu entendo os jovens desiludidos com a realidade que vivem, a falta de soluções de emprego, a precariedade laboral, a impotência de ver o seu tempo pior do que o dos seus pais. Percebo que sentem que a vida vai sendo adiada e a idade vai passando sem nunca terem construído vida. Mas, nunca se sabe quando se vai para ainda pior.
A frustração gosta do ataque e o castigo, gosta de ter um culpado, responsável ou inimigo, é fácil para descarregar o stress. Assim como se sabe que há gente que se aproveita disso.
Peço aos jovens consciência, ler um pouco de história, sair do ruído e se concentrar no essencial.
Decidi escrever depois de ver uma sondagem do Expresso. Acreditamos ou não em sondagens? Elas são retrato de um momento ou uma forma de nos conduzir para um resultado? André Ventura a liderar as presidenciais significa o quê? Uma forma de atraiçoar Ventura que quer governar o país e, se ganhar, tem que assumir um mandato para divergir os seus propósitos, ou é realmente uma continuação do castigo sobre os partidos do sistema, a República e o país?
Depois do Presidente dos afetos, queremos o Presidente das confusões, brigas e xenofobia. Queremos à força um Trump, um Órban, um Fico? Queremos minar a democracia?
Para uma população como a da Madeira (255 mil), uma sondagem para ser fidedigna deveria ter:
- Margem de erro ±5% (95% CI): 384 entrevistas validadas
- Margem de erro ±4% (95% CI): 599 entrevistas validadas
- Margem de erro ±3% (95% CI): 1 063 entrevistas validadas
- Margem de erro ±2% (95% CI): 2 379 entrevistas validadas


