Tal como o PSD, o Chega já começou a fazer cama para a "bordoada", e por ser Chega os seus seguidistas fazem coro. Saiu um artigo no Madeira Opina que dizia que "A máscara de José Carlos Gonçalves cai com a "estrada" das Ginjas." (link) e ao que parece acertou pelas reações. Agora cabe ao novo Presidente da CMV decidir para que lado pende. Se for pela Estrada das Ginjas, o Chega Madeira para pela segunda vez fala duro para ganhar votos e depois ajoelha-se ao PSD-M
O que está a acontecer é um excelente exemplo de como certos partidos estão a transformar uma discussão técnica e ambiental num palco de guerra política. Tal como o PSD já vinha fazendo, agora é o Chega a alinhar na mesma estratégia: criar um clima de indignação permanente, mobilizar seguidores através de slogans agressivos e reduzir um tema complexo a uma luta “esquerdalha ambientalista” contra o "povo". O Chega usa sempre muita emoção, mas pouca substância. Fala-se de “esquerda caviar”, “abutres”, “foragidos pseudoambientalistas”, mas muito pouco sobre os reais impactos ambientais, turísticos e financeiros da obra. É o tipo de linguagem feita para inflamar, não para esclarecer.
Independentemente de se ser a favor ou contra a pavimentação, o debate merece mais do que guerrilha partidária e soundbites de Facebook. A Ginjas envolve questões reais: conservação da Laurissilva, risco de precedentes ambientais, pressão turística, segurança, custo-benefício, alternativas viáveis e até modelos de mobilidade. Mas quase ninguém quer discutir isso, dá mais votos gritar. Precisamos de mais parques de estacionamentos para distribuir o descontrolo de turistas.
Mas isto não é sobre estradas, é sobre narrativa política. E alguns partidos, incluindo o Chega (com o entusiasmo previsível dos seus seguidores), estão a aproveitar a oportunidade para montar palco e preparar a tal “bordoada”. Entretanto, o debate sério fica na berma. literalmente. Foguetório há muito no Chega mas substância nenhuma. Como sempre.
