E u não tenho dúvidas, porque convivo com a situação noutras áreas, de que tal como o Governo Regional não é fiscalizado em nada, os seus amigos continuam pela mesma bitola. Mas depois existe a necessidade de mostrar serviço, porque eles existe amedrontados com quem podem "tocar", é por aí que chegamos à manifestação de força com os fracos. As vendas "tradicionais" na Madeira sempre existiram, à beira do caminho, junto às produções, depois em pequenos mercados com edifício das autarquias ou em praças, são lugares de venda de hortículas mais frescos e naturais, das receitas tradicionais de pão caseiro que veem a luz do dia para todos em forno de lenha, de plantas de casa por estaca, de produções próprias dos seus animais, etc. Eu tenho a certeza de que sou mais bem servido pelo preço e qualidade com esta gente, sabendo que os seus produtos até podem não ter a aparência artificial, mas têm bom gosto, qualidade e "saúde".
Estas tradições de vendas sempre existiram e foi da Europa, não atendendo às particularidades dos povos das vastas regiões que tomou conta legal destruindo as tradições em favor do industrial e comercial. Se querem ser respeitados, respeitem, integrem, não eliminem a nossa identidade. Mas quem fala deles, também fala da cegueira do fisco, da Segurança Social ou da ARAE, outros fortes com os fracos, com "linhas vermelhas" dúbias, quase sempre mais amigas dos interesses do "linha branca" e seus amigos. É importante voltarmos a ter estes produtos tradicionais à venda outra vez, se tiverem que se extinguir que sejam pelas novas gerações que não se sujeitam. São também eles um cartaz turístico genuíno da Madeira que assim entrega ao turismo essa "Madeira tão tua". Temos muita gente que não pensa no Governo, não têm condições para governar, é a era das elites investidas de poder que desconhecem o povo.
Já muito se falou da higiene de alguns novos restaurantes da imigração, parece como o "Mercosul", eles produzem como lhes dá na "telha" e chega à Europa, enquanto os europeus produzem dentro de todas as regras e não se tornam competitivos. Pergunto que sentido faz uma rusga da ARAE a um pequeno mercado, quando o do Lavradores, no Funchal, anda até nos olhos da imprensa internacional pelos abusos que fazem aos turistas. Mais respeito meus senhores, a banca milionária da CMF tem isenção de ARAE? Pergunto, quantos madeirenses ainda vão ao Mercado dos Lavradores, aquele bibelot turístico completamente descaracterizado?! E neste quadro, os supermercados já protegidos do LIDL parecem outro monopólio que a ARAE não vista apesar de todos os esquemas de sacar dinheiro por menos produto, aí é tudo legal. O vendedor madeirense deve fazer o mesmo para ser respeitado? Os madeirenses sabem que os supermercados roubam, alguns, mas não veem a ARAE a atuar.
Ainda não percebi isto, atacam pelo preço da água, atacam nas vendas tradicionais, atacam pela legislação, atacam pelos custos de produção, é mesmo para acabar tudo e ceder os terrenos para campos de golfe? Pode ser que um dia a guerra nos chegue à porta por falta de produção e exista fome. Acham descabido pelo que se vê, ouve e fala?
Cada vez mais este tipo de venda ambulante, tradicional e de pequena feira genuinamente tradicional tem mais saída porque os fazem o "win-win", é bom para o consumidor e para o produtor, é direto, é mais barato, na banana então é pelo menos pela metade do preço! Eu estou à espera de quando atacam o mercado do Santo quando está perto de ter novas condições, ainda por cima é outro concelho da oposição. Isto não pode ser coincidência. Tal como a ARAE é forte onde pode, o GR agora arranjar conjuntura para sujar os outros, mas os amigos sempre impunes, é uma imunidade como a do Presidente.
Mas depois fico a pensar, com tanta agressão ao poder de compra, à habitação, à saúde, ao comércio tradicional, à água, ao poder aceder livremente à nossa ilha, etc, porque carga de água esta gente continua a achar que outros não podem fazer melhor?! Há neste governo a noção de que já testaram a população com tudo e esta mantém-se fiel. É por isso que atacam cada vez mais, mas os amigos sempre impunes.
Nota 1: já agora, os snack-bares têm tantas regras mas e os quiosques ambulantes em "tuk-tuks", caravanas, atrelados, etc, por exemplo, com que água muitos deles lavam?
Nota 2: qual o sentido crítico dos jornais acerca de organismos do GR nestas circunstâncias? É preciso de facto haver Madeira Opina, parabéns pelo vosso trabalho.
Nota 3: O Presidente da C. m. de Santana não ataca o secretário José Manuel Rodrigues da tutela da ARAE? O protector do Sousa... O CDS também tem pecados nesta feira de vaidades.
