A vitória na Madeira é de André Ventura, não de Miguel Castro.


Convém repor a verdade política e eleitoral, sem rodeios: a vitória do CHEGA na Madeira pertence a André Ventura, não a Miguel Castro.

O s números são claros. Nas Autárquicas de 12 de outubro de 2025, foi em São Vicente que o CHEGA deu o sinal político mais forte de mobilização: venceu a Câmara com 49,23% (1.705 votos), conquistando a presidência e a maioria autárquica. No Funchal, o CHEGA obteve 7.787 votos, concentrados num único concelho, resultado de uma campanha nacionalizada, assente na liderança e no capital político de André Ventura.

Esse número é revelador: é igual ao resultado que Miguel Castro obteve em toda a Região nas Regionais de 23 de março, há menos de um ano a única eleição em que foi cabeça de lista. Ou seja, Castro conseguiu em toda a Madeira o mesmo que o CHEGA conseguiu apenas no Funchal quando Ventura esteve no centro da mobilização.

A comparação torna-se ainda mais clara noutros atos eleitorais. Nas Legislativas Nacionais de maio, o CHEGA obteve cerca de 29 mil votos na Madeira, mais de quatro vezes o resultado de Castro dois meses antes. Nas Presidenciais, André Ventura alcançou 44.800 votos, mais de seis vezes o resultado regional de Castro. Mérito inequívoco da liderança nacional.

Isto não é opinião, é leitura objetiva de força eleitoral. Se Miguel Castro tivesse implantado uma liderança regional sólida e mobilizadora, isso teria ficado demonstrado quando foi a votos sozinho. Não ficou. Pelo contrário, ficou claro que o crescimento do CHEGA na Madeira ocorre apesar da liderança regional, e não por causa dela, dependendo quase exclusivamente do “efeito Ventura”.

Há ainda um dado politicamente devastador: enquanto o CHEGA multiplicava por cinco a sua representação na Assembleia da República, Miguel Castro conseguiu o inverso na Madeira, reduziu a bancada regional de 4 para 3 deputados.

Por isso, atribuir a “vitória” regional a Miguel Castro é uma tentativa de apropriação de um resultado com outra origem. O trabalho feito na Região, por candidatos e militância, foi feito sob a marca Ventura e sob a força da liderança nacional, não sob uma estrutura regional credível.

É por isso positivo, e necessário, que André Ventura venha à Madeira: não para receber aplausos, mas para avaliar o estado do CHEGA Madeira e perceber se o eleitorado está a ser respeitado.

Há sinais públicos de ostentação e encenação de estatuto que chocam com o discurso do partido. Quando a moralidade é usada como arma política, a transparência tem de ser total.

Nada disto diminui o resultado eleitoral. Pelo contrário, clarifica-o. Os madeirenses votaram em André Ventura e entregaram-lhe também uma responsabilidade: corrigir o que não funciona no CHEGA Madeira.

O CHEGA na Madeira não cresce mais porque tem Miguel Castro à frente. E nunca chegará ao poder regional enquanto a liderança estiver mais interessada em negociar orçamentos com Jaime Filipe Ramos do que em construir uma alternativa séria, algo que o próprio Miguel Castro admitiu no plenário.