Anação que se gabava de ser farol da democracia transformou-se num teatro de histeria com Donald Trump no comando. Não é liderança: é brochura de vaidade. Não é estratégia: é impulso sem freio. Não é estadismo: é um infantilismo perigoso revestido de autoridade. Trump não governa, reage; e reage mal. Palavras sem medida, decisões sem bússola, gestos que desafiam aliados e enaltecem o caos.
Esta nova “rede” de aliados não é uma aliança formal: é um ajuntamento de líderes e partidos de direita, nacionalistas e populistas que aplaudem a ruptura com o liberalismo e o equilíbrio. De Orbán a Le Pen, de Meloni a Wilders, passando por figuras como Bolsonaro, assiste-se a um recuo civilizacional: menos regras, mais arrogância, mais soberania da violência retórica. Não é teoria da conspiração; é alinhamento ideológico que fragiliza instituições.
Trump pensa que compra o mundo com notas verdes. Sonha em “anexar” territórios, da Gronelândia às fantasias geopolíticas, e ignora a própria geografia moral dos EUA: Porto Rico, Guam, Samoa Americana, territórios estratégicos com direitos limitados. Esta hipocrisia colonial disfarça ambição imperial e desnuda uma arrogância que beira o imperialismo de quinta categoria.
Enquanto o caos se normaliza, alguns lucram. A instabilidade virou produto: medo, tensão e incerteza valorizam fortunas e armas. A América passa a lembrar uma Coreia do Norte musculada, poderio económico e militar, mas com desprezo pela previsibilidade e pela responsabilidade.
Pergunta-se: até que ponto os militares e as chefias de defesa aceitarão o risco de um presidente errático? Até que ponto a obediência justifica arrastar o planeta para o abismo? Quando o comandante em chefe se comporta como um menino mimado com acesso a arsenais, a única resposta civilizada é a vigilância democrática e a desobediência institucional perante o absurdo.
Donald Trump é perigoso, imprevisível e egoísta. Não é apenas um problema americano: é um risco global. Hoje, os Estados Unidos vivem em permanente stress, um fator de risco para todos nós. Virar a bandeira de cabeça para baixo não é ultraje: é sinal de emergência. É protesto, é aviso, é necessidade democrática de dizer não.
A humanidade está em jogo. Não nos calamos. Alerta vermelho: a hora é de resistência racional, mobilização popular e responsabilização institucional...
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