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A máscara satânica da Extrema-Direita.

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Extrema-direita? Não. Satânica.

Não é exagero retórico, é análise moral. Aqueles que empunham a cruz para atacar, que se calam perante a injustiça quando lhes convém e que transformam a misericórdia em caça ao diferente não praticam o Cristianismo, caricaturam-no. Usam símbolos sagrados como fardamento. Fazem guerra às pessoas muçulmanas, às minorias, aos pobres e depois fingem piedade. Hipocrisia organizada.

Ser cristão exige ir à missa, praticar o bem, pedir perdão, amar o próximo. Observem: o que vemos na extrema-direita é o oposto: orgulho, ódio dirigido, superioridade performativa e violência verbal e física. Não é defesa da fé: é exploração da fé. É transformar a tradição numa máscara para a barbárie. Chamar a isto «Cristianismo» é insultar a própria religião.

O olhar de quem se julga mais alto é o mesmo olhar que humilha. O Papa Francisco lembrou-nos que o único momento em que é lícito olhar de cima para baixo é quando o fazemos para ajudar alguém a levantar-se, e foi claro nessa vigília da JMJ em Lisboa.

Portanto, quando ouvimos cantos patrióticos seguidos de insultos a quem foge da fome; quando vemos bandeiras e depois se pratica exclusão, estamos perante uma ordem política que se reveste de sagrado para camuflar a crueldade. Ser católico não é isto. Ser católico é presença, sacramento, serviço. É humilhar-se para servir, não subir para pisar.

Isto não é insulto, é diagnóstico. Quando a política torna-se máquina de ódio, quando se persegue o diferente em nome de pureza, nasce uma religiosidade do rancor, e o rancor legisla, expulsa, corta direitos. É política travestida.

Convocamos um protesto de consciência, levanta-te quem vive a fé como serviço. Tragam cruzes vivas, as de quem ajuda, as de quem partilha o pão, para confrontar as cruzes mortas do rancor. Mostremos, com dignidade e firmeza, que a fé acolhe, não condena.

A exigência é simples, coerência. Ou vivem a caridade que pregam, ou assumam a impostura. A rua vai dizer se a religião é verniz ou compromisso. Escolham.

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