A autorização do óbvio
A cabo de ler uma "não notícia" que carrega uma ironia profunda, é para encher chouriços e enaltecer as falhas do GR. Quando o GR sente necessidade de vir a público "autorizar" os cidadãos a usufruírem do que já é deles por direito, estamos perante um sintoma claro de uma burocracia que perdeu o norte. Não acham?
A base de uma sociedade livre é que tudo o que não é proibido é permitido. Quando o Governo anuncia que "podem andar no que é vosso sem inscrição", está implicitamente a sugerir que, por norma, a nossa propriedade pertence primeiro ao Estado e só depois a nós. É a estatização do quotidiano. Depois de subordinados a Lisboa tornaram-se comunistas?
Há algo de quase cómico (se não fosse trágico) em ver um governante a posar como generoso por não impor uma taxa ou um registo sobre um ato básico de propriedade. É como se nos estivessem a "vender" o ar que respiramos e depois esperassem um agradecimento por nos darem um "desconto".
O simples facto de este anúncio ser necessário prova que os proprietários vivem com medo. Sempre presente nos madeirenses, vejam se aprendem com o Irão nestes dias... O medo de que, a qualquer momento, surja um decreto-lei, uma plataforma digital ou um formulário qualquer que transforme um passeio no próprio quintal ou terreno numa infração administrativa. O que sim pode acontecer é o proprietário colocar cancela e começar a cobrar bilhetes.
Muitas vezes, estas "permissões" servem para mascarar outras obrigações que continuam escondidas. Dizem que não é preciso inscrição para "andar", mas talvez seja precisa para "limpar", "vedar" ou "plantar". É a tática de dar com uma mão (a liberdade de movimento) enquanto se aperta com a outra (a gestão da propriedade).
Anda tudo louco no governo?
