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Chega-lhe Madeira

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Madeira é um fenómeno político nacional, porque é a antítese do que se considera normal na política global. Tivemos uma Frente de Libertação composta por “queques”, dois padres comunistas, um ditador eleito democraticamente que criou um “povo superior dentro de uma pseudo Singapura”, um Partido Socialista que não sabe o que é o socialismo, um grupo de revolucionários colonialistas com o Che Guevara “coelho” analfabeto, entre outras movimentações de figuras políticas entre partidos que são autênticas machadadas ideológicas.

Recentemente, chegou-nos o Chega, o partido do Dr. André Ventura, que lhe serve de bandeira para esfregar na cara dos que, há uns anos, o afastaram da política porque andava de catana atrás dos ciganos de Loures.

Há quem o compare com Trump, mas, na verdade, André Ventura só tem uma coisa em comum com Trump e é o facto de ter sido vítima de afastamento e bullying político. No caso de Trump, foi por Obama, que, quando ainda era presidente e ouviu dizer que Trump sonhava ser presidente, na célebre conferência gozou com ele e disse que ele tinha tanta capacidade para um dia chegar à política como um camelo passar pelo famoso buraco da agulha. No caso de Ventura, foi Passos Coelho, que o saneou do PSD por o considerar uma aberração política. De resto, ambos são completamente opostos, em especial nas escolhas de quem os acompanha na estrutura partidária.

Na Madeira, que é o que interessa, os quadros partidários do Chega são compostos por pessoas que, provavelmente, numa sociedade com o sistema de saúde afinado, estariam institucionalizadas em casas de saúde, equiparadas a pessoas com défices mentais, ou estariam a cumprir pena de prisão. Na Madeira, são quadros políticos, e alguns com relevo político, por exemplo em São Vicente e arredores, e mesmo os que estão na ALR.

Recentemente, na CMF estalou o verniz com os vereadores do Chega, numa alegoria que mais parece um episódio da Rua Sésamo, em que o Ferrão se zanga com o Poupas e com o Cocas e quem tem de resolver é o Sr. Almiro e a Avó Chica que, com uma paciência de santo, em assembleias municipais são obrigados a dirimir conflitos de casa de banho de um partido inútil, pelo menos no panorama regional.

Os dois vereadores do Chega, o Inspector Filipe Santos e o Engenheiro Jorge Freitas, vivem o sonho de rapazinhos que um dia sonham ser delegados de turma, especialmente o inspector, a quem a vida sempre lhe foi avessa no que respeita a encher o peito e se passear como político, e nem é só pelo aspecto físico, é por tudo o que almejou. 

Começou por querer ser presidente da junta; veio o PS e tirou-lhe o sonho. 

Convenhamos que “perder” para o PS é uma espécie de humilhação que, no Japão, é sinónimo de seppuku/harakiri., imaginem acordar e saber que a população da zona que se pretende “governar” preferiu escolher o PS em vez de ser governada por ele, é motivo para nunca mais sequer aparecer como suplente numa lista de uma associação de cegos.

Mas a verdade é que ele não se ficou por ali, quis ser um figurão no C. S. Marítimo e passear ao lado do Presidente do Clube, tipo papagaio no ombro do pirata, ainda assim, acabou por ser figurão noutra colectividade de um bairro social que, dizem as más línguas, gente invejosa e de índole perversa, deixou uns bons calotes e que ainda lhe deu um aconchego no conforto pessoal.

Politicamente, saiu do PSD porque a derrota foi do “PSD” e não dele, depois foi para o CDS, mas viu-se aflito por causa de uns dinheiros que andaram tipo pombinhas da Catrina, de irmão em irmão e que acabaram por cair na do paizão, agora que o Chega lhe deu uma vereação já achava que era o dono do partido e lá convenceu o Engenheiro Jorge de que, juntos, eram mais fortes e que um dia iam ser mais do que o Ventura.

E, nestas coisas, quem tem CUidado tem medo, o líder regional Miguel Castro, que de parvo só tem a cara, mandou logo “assessores” para os “orientar” na vida corrente, no entanto se há coisas de que o inspector e o engenheiro não precisam é de assessoria, se é para fazer asneira há que fazer sozinhos porque com assessores são obrigados a conter a asneirada. É mais ou menos como quando íamos para a catequese sozinhos ou com a avó que aproveitava e ia à missa também, tínhamos de nos portar bem, ficar calados, comer a hóstia e vir para casa a fazer um sumário da moralidade aprendida.

Isto tudo para dizer que, de facto, quando a política regional parece que já não surpreende, aparecem estes fenómenos para nos animar ou decepcionar, depende de quem votou e como votou. 

Uma pessoa consciente, que colocou uma cruz num partido ou candidato, é pessoa que quer quem a represente de forma coesa, honesta e com resultados práticos para o bem social, mas depois depara-se com esta guerra de interesses e passa claramente para o lado da maioria, ou seja, para a abstenção, pela descredibilização e pela falta de respeito em tudo aquilo que o voto representa.

Não é uma crítica ao partido Chega; é um lamento e uma censura aos quadros que o partido apresenta, pelo menos na Madeira, que, além de serem recheados de interesses pessoais, são completamente desprovidos de ideologia, capacidade política, interesse social e de representar quem os elege nos círculos onde devem ser o garante da democracia, na defesa do bem comum.

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