Type Here to Get Search Results !
A sintonizar estações...

Governo de Conveniência.

Moderação 0

T

omou posse o XVI Governo Regional da Madeira, um executivo montado à pressa, costurado entre interesses, e apresentado como “estabilidade” quando, na prática, é instabilidade mascarada. Depois de eleições antecipadas a 23 de março de 2025, Miguel Albuquerque foi indigitado a 28 de março e o governo tomou posse a 15 de abril; o Programa foi aprovado em moção de confiança a 8 de maio, com os votos do PSD e do CDS-PP, a oposição do JPP, PS e Chega, e a abstenção da IL (Iniciativa Liberal).

Este é um governo que se gaba de “gestão” e pede paciência; pede-nos calma enquanto empurra cortes, privilégios e favores. Pede à ilha que acredite em promessas de crescimento enquanto distribui cargos, contratos e garantias que cheiram a soma entre velho caciquismo e novos interesses empresariais. É uma operação de retalhos: um pedaço de populismo conservador aqui, um acordo oportunista ali, e muita retórica para encher vazios.

Não confunda “maioria” com legitimidade. Ganhou-se a cadeira, não o mandato moral. A insistência em apresentar a coligação PSD/CDS-PP como solução técnica para “estabilidade” é insultuosa para quem vive com salários magros, habitação inacessível e serviços públicos esgotados. Estabilidade para quem? Para o eleitorado ou para quem gere contratos com o Estado?

A oposição, JPP, PS e quem ainda preserve alguma dignidade política, foi ignorada no discurso triunfante. A IL absteve-se; os partidos que apontaram falhas viram o programa aprovado sem correcções. Isto não é debate, é carimbagem.

A rua tem memória. Os madeirenses lembram operações suspeitas, obras adjudicadas sem transparência e um tecido social que se esgarça. Aos que prometem “estabilidade” pedimos provas: auditorias públicas, escrutínio real, compromissos vinculativos com trabalhadores e serviços. Pede-se menos slogans e mais responsabilidade.

A manifestação exige isto, clareza, justiça fiscal, auditorias públicas, renegociação de contratos predatórios e um compromisso sério com habitação e salários dignos. Não venham com eufemismos: queremos políticas que representem pessoas, não interesses.

Se este governo quer credibilidade, que comece por abrir portas e janelas: transparência total, contratos acessíveis, e mecanismos de controlo que não dependam da boa vontade de quem administra. Caso contrário, que não apresente a palavra “estabilidade” como um disfarce conveniente para a velha política de sempre.

Enviar um comentário

0 Comentários
* Sujeito a moderação. Seja cordial, educado e não faça spam.