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Havia também a guerra. Milhares foram enviados para longe, morreram ou regressaram marcados para sempre. Houve mortos, feridos e traumas que atravessam gerações.
A saúde pública era quase inexistente. As mortes infantis eram comuns; muitas famílias perderam bebés por falta de cuidados. Hoje, graças a um sistema de saúde público criado em 1979, a mortalidade infantil caiu drasticamente e salvaram-se milhões.
A educação era um privilégio de poucos. O analfabetismo era amplo e o ensino básico era o limite para muito. Hoje, a instrução é maioritária, o ensino obrigatório foi alargado e mais pessoas podem ler, estudar e pensar por si. Saímos do isolamento e do silêncio.
Os direitos das mulheres eram negados pela lei e pelo costume. A mulher precisava de autorização para muitas ações básicas. Hoje, há igualdade jurídica, a luta continua, mas os ganhos são reais. Saímos daquilo que era a escravidão social.
Pergunto: queres mesmo regressar a um tempo em que o Estado te calava, a PIDE espiava, a pobreza mandava e a violência social era norma? Não é só nostalgia, é esquecer quem sofreu e quem morreu para que hoje possas falar livremente.
O desafio de agora é diferente: proteger a democracia, melhorar a justiça social e construir uma economia que sirva a maioria. Exige que pensemos com clareza, que aceitemos factos e que ajamos com coragem cívica. Manter a serenidade perante as ofensas, exigir a verdade e resistir ao simplismo são actos de virtude pública.
Não te deixes enganar por quem promete um paraíso que nunca existiu. Olha para o que ganhámos com os últimos cinquenta anos: saúde, educação, direitos e dignidade. Defender isso é um acto de responsabilidade para com o passado e de amor pelo futuro.
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