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Não obstante a comichão que fez a muitos democratas, que não se importavam de correr o risco de ter de (con)viver com o maligno ou seus aprendizes durante, no mínimo, cinco anos (no máximo, sabe-se lá para onde nos levariam), só para manterem imaculada a sua alma ideológica; não obstante essa circunstância, escrevia eu, o "underdog" (o que, à partida, parecia ser o que tinha menos possibilidades) foi o candidato mais votado, muito devido a outros democratas, mais realistas e pragmáticos, não se terem "fiado na virgem", engolido o orgulho, e terem votado em quem era NECESSÁRIO votar.

Agora, quando todos eles (democratas e democratasss) respiram de alívio, outra batalha não menos importante se avizinha (8 de Fevereiro). Só que, desta vez, a “repulsa” já está bem digerida, nem vai ser preciso tomar sais de frutos, a “boa acção” está feita e desapareceram os engulhos psico-ideológicos que obnibularam algumas mentes, que agora suspiram de alívio.

Imagino que, a alguns, ainda deva custar horrores depositarem, nesta segunda volta, o voto em António José Seguro (ficam a saber como me senti), mas que, numa (agora) exaltação de sentido democrático, sabem discernir entre a moderação (de centro a tender para a direita,, mas enfim...) e a mediocridade, a estupidez, a vontade de pôr em confronto portugueses contra portugueses contra estrangeiros contra tudo e contra todos...

Pelas últimas projecções, 70% dos portugueses, no mínimo,  declaram ir votar em Seguro, mesmo que alguns deles estejam “apenas” a votar contra o outro candidato (sim, recuso-me a escrever o nome da besta – no sentido bíblico).

Se considerarmos que ainda há uma percentagem significativa daqueles que não querem, de todo (e cobardemente, no meu entender), votar em qualquer um deles, temos que os apoiantes (que se revelam, assim, indefectíveis) do ódio, do racismo, da xenofobia..., se resumem a pouco mais de 1 milhão de seres. Se também relevarmos que nesse milhão “navega muita gente na maionese” e “come gelados com a testa” (a falta de instrução – não necessariamente apenas académica – ainda é uma das maiores justificações para o seguidismo ao pastor de burros), a gentinha odiosa que faz parte do lado negro da força, resume-se a um rodapé de uma página nojenta da história de Portugal. Esperemos que assim continue.

Espero que os democratas (de todas as ideologias) tenham aprendido com a lição involuntária deste acto eleitoral, que os eleitos e com responsabilidades políticas, e não só, se comportem mais de acordo com aquilo que apregoam e prometem aos eleitores, que definitivamente retirem argumentação a aprendizes de ditadores, para que os inflamados discursos de café e a gritaria inconsequente e mentirosa tenha um rápido fim e passe a ser apenas má memória.

Que o reconhecimento da grande maioria dos portugueses da esquerda e de quase toda a direita (menos a direitola, fascista e execrável), de que o grunho nem o benefício da dúvida merece, não caia em saco roto.

Por isso, o meu apelo a que ninguém fique em casa. Que seja dada uma demonstração cabal de que a democracia deve ser cuidada todos os dias e por TODOS. Como se costuma dizer, quem adormece na democracia, arrisca-se a acordar na ditadura. Acho que está demonstrado que a grande maioria não quer correr esse risco.

Afinal, parece que ainda pode haver esperança para Portugal, … mas não para a Madeira...

Fernando Letra

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