Type Here to Get Search Results !
A sintonizar estações...

Miguel Castro aponta Lisboa, e depois aceita uma assistente mandada de Lisboa.

Moderação 0

 

Link da Notícia

Miguel Castro subiu à tribuna a prometer que “temos de mostrar aos cubanos de Lisboa que os madeirenses não se vergam”. A frase serve para agitar aplausos, incendiar redes sociais e criar um inimigo externo conveniente. O problema é quando a retórica anti-Lisboa tropeça na própria prática.

Porque, enquanto se denuncia a tutela do continente, a comunicação social regional, nomeadamente o Diário de Notícias da Madeira, noticiou um caso que, no mínimo, exige coerência: a contratação de uma assistente/assessora ligada ao Chega Madeira, vinda do continente, numa solução apresentada como decisão da estrutura nacional, sediada em Lisboa.

Ou seja: aponta-se o dedo a Lisboa em público… e aceita-se Lisboa no gabinete.

Afinal, em que ficamos?

Os “cubanos de Lisboa” são problema quando pertencem aos outros, mas deixam de ser quando chegam com o selo da direção nacional? A “imposição externa” é intolerável apenas quando não interessa? Ou a indignação é seletiva, e a Madeira só é invocada como bandeira quando dá jeito?

A contradição não é pequena. É política. E é moral. Quem constrói um discurso de autonomia e orgulho regional tem o dever de aplicar a mesma lógica dentro do próprio partido. Não pode pedir resistência aos madeirenses e, ao mesmo tempo, normalizar decisões tomadas fora da Região, por estruturas que cá não vivem, cá não respondem e cá não enfrentam as consequências.

Este episódio, relatado na imprensa, não é um detalhe administrativo. É um sintoma de incoerência: um discurso duro para fora e uma submissão prática para dentro. E quando os princípios mudam conforme a conveniência, deixam de ser princípios, tornam-se apenas propaganda.

A Madeira não precisa de frases feitas nem de inimigos inventados. Precisa de coerência, de verdade e de respeito pela inteligência de quem ouve. Quem acusa “Lisboa” de mandar deve ser o primeiro a recusar ordens e imposições, sobretudo quando vêm de “casa”.

Caso contrário, o combate aos “cubanos de Lisboa” não passa de teatro.

E o orgulho madeirense não pode ser usado como figurino para encobrir obediências silenciosas.

Enviar um comentário

0 Comentários
* Sujeito a moderação. Seja cordial, educado e não faça spam.