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| https://www.dnoticias.pt/2026/1/23/478602-albuquerque-confirma-venda-do-hospital-dr-nelio-mendonca/ |
O presidente do Governo Regional confirmou esta sexta-feira que as actuais instalações do Hospital Dr. Nélio Mendonça vão ser vendidas, estando já decidida a alienação do imóvel. A receita resultante será utilizada para amortizar parte dos custos da construção do novo hospital central da Madeira.
Aposto de que todos minimamente lúcidos estavam à espera disto e por isso rondava pela opinião pública o que se deveria fazer ao Hospital Nélio Mendonça enquanto património do Governo Regional em benefício dos madeirenses. Miguel Albuquerque não governa para madeirenses, mas sabe iludi-los, porque são de fraco cognitivo e a entourage e a comunicação social faz a narrativa
Esta notícia cai como um balde de água fria sobre quem esperava que o património público servisse para colmatar as falhas sociais da Região. O cenário é o de uma "tempestade perfeita", um novo hospital com menos camas do que o necessário, uma pressão turística sem precedentes nos serviços públicos, nomeadamente saúde, e a perda de uma infraestrutura estratégica para o setor, de certeza, imobiliário/hoteleiro.
A confirmação da venda do Hospital Dr. Nélio Mendonça é o culminar de uma estratégia que parece privilegiar o betão e a receita imediata em detrimento do planeamento humano e social da Madeira. Quando ele até é possível com 50% na mão. Sob o pretexto de "amortizar custos" do novo hospital, o Governo Regional aliena um ativo que poderia ser a solução para dois dos maiores cancros do nosso sistema: as altas problemáticas e a gritante falta de lares.
Oxalá o Governo da República do próprio PSD, amigo como é (até parece socialistas, não é verdade), não venha buscar a sua parte para também reduzir os seus custos. A ver vamos!
O argumento de que o edifício não serve para fins sociais por "custos excessivos" é, no mínimo, questionável. Num momento em que a reabilitação urbana é a palavra de ordem na Europa, é difícil aceitar que uma estrutura de saúde não possa ser adaptada para cuidados continuados ou residências assistidas. A verdade parece ser outra: o terreno é demasiado valioso, a localização é demasiado "premium" e o apetite hoteleiro/imobiliário fala mais alto do que a necessidade dos idosos que ocupam camas de hospital por falta de alternativa.
Estamos a construir um novo hospital que nasce já sob pressão. Enquanto o número de residentes e, sobretudo, o volume de estrangeiros e turistas nas urgências não para de crescer, a capacidade de internamento não acompanha essa escala. Ao vender o Nélio Mendonça em vez de o reconverter, a Região perde a sua "válvula de escape".
Onde vão ficar os doentes que já não precisam de cuidados agudos, mas não têm para onde ir? Pergunto as aventuras do "social" no Nélio Mendonça o que têm de fazer, autênticos milagres, para encontrar lugar às pessoas. Sai dois, entra 7, sai 1 entra 4... esta é a história semanal.
Vamos continuar a pagar diárias de hospital central a quem precisa de um lar?
A receita da venda servirá para abater a dívida da construção, mas o custo social desta decisão será pago pelas famílias madeirenses durante décadas. É a Madeira da "deriva hoteleira", onde cada metro quadrado de vista mar tem de ser rentabilizado, mesmo que isso signifique empurrar os nossos velhos para o fim da lista de prioridades.
Transformar o Nélio Mendonça num ativo imobiliário é assinar uma declaração de falência moral no apoio à terceira idade. O "Living Care" de que se fala nos fóruns parece só ter lugar nos edifícios que o povo ajudou a erguer.
Assim cresce o Chega com governantes estúpidos que não governam para quem vota, porque estão absorvidos a alimentar o monstro das clientelas. Nem o JPP vai aguentar a barreira ao Chega na Madeira, escrevam, porque o pessoal deixou de ser moderado e está farto de conversas plausíveis para perpetrar o serviço às clientelas. Por isso o povo subiu a parada.
E vai desaparecer um nome do Jardinismo... Ou vai ser Hotel Nélio Mendonça?
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