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Obras de gente ridícula!

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Acabo de ver o filme dos idiotas das obras em São Vicente a repor inertes com ondulação forte para não descalçar as parede da marginal de São Vicente. Hoje é o dia dos enxovalhados por dizerem as verdades se rirem com as obras de gente ridícula. Então, o calhau não foi laranja?

O que se passa na frente-mar de São Vicente é um exemplo clássico de gula de obra pública mal pensada, que decide “corrigir” a natureza sem a compreender e acaba a criar exatamente o problema que dizia querer resolver. Isto é de "réguadas" como antigamente

Durante décadas, a praia de calhau funcionou como aquilo que ela é por definição, um dissipador natural de energia. O calhau não está ali por acaso. Cada pedra, cada camada, cada inclinação resulta de um equilíbrio lento entre gravidade, ondulação, marés e tempestades. Quando a onda chega, não embate, infiltra-se, perde energia por atrito, por turbulência entre os seixos, e morre ali. Silenciosamente. Eficazmente!

Lá vieram os "enginheirinhos" e os arrota luvas dar baile e levaram com ele!

Ao roubar extensão e espessura ao calhau, as obras quebraram esse mecanismo. O que antes era uma rampa rugosa e profunda, passou a ser uma superfície curta, rígida e artificial. Resultado? A onda já não dissipa energia na praia, rebenta diretamente na muralha. O impacto aumenta, a pressão hidrodinâmica sobe, e o que era proteção transforma-se em risco estrutural.

E depois vem o absurdo final! Com o mau tempo (como o trazido pela Ingrid), vê-se pessoal a atirar inertes à pressa, como quem tapa uma hemorragia com fita-cola. Não é engenharia, é aflição de perder a razão. Não é planeamento, é improviso caro. E, pior, é tentar forçar o mar a comportar-se depois de se ter destruído o sistema que o mantinha sob controlo.

Uma praia de calhau eficaz precisa de espessura suficiente para absorver energia, comprimento horizontal para permitir várias “mordidas” da onda, granulometria adequada (calhau, não brita fina). Em termos simples e médios (variam com a energia do mar, mas isto é ordem de grandeza), são precisos pelo menos 1,5 a 2 metros de espessura de calhau ativo... e 20 a 40 metros de extensão útil desde a linha de água média até à base da estrutura rígida, para que ondulações fortes percam sucessivamente energia antes de chegar a qualquer muro.

Quando se reduz isto, a energia não desaparece, relocaliza-se. E vai toda para a muralha. A ironia trágica, ficamos a rir com o absurdo e o caricato, mas somos nós que pagamos. A natureza já tinha feito o trabalho. De borla. Com manutenção automática. Resiliente a tempestades. Mas estes que obram com arrogância e presunção trumpista acham-se a controlar tudo. As obras decidiram “embelezar”, “ordenar” ou “ganhar espaço”, e no processo desfizeram um sistema costeiro funcional. Agora gastam-se mais recursos, mais inertes, mais dinheiro público, apenas para tentar corrigir o erro inicial.

Isto não é progresso. É engenharia contra o território, não com ele. Não querem saber da natureza e é moral. É a velha ideia de que o betão sabe mais do que o mar, até ao dia em que o mar responde.

Lol, e agora o Chega fica com o bebé nas mãos, não ouçam não os ambientalistas em relação às Ginjas, ainda vão ter o vosso momento de "degelo".

Vejam o que foi avisado antes do temporal: "Tempestade Ingrid na Madeira, em particular em São Vicente." (link)

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