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Representante à la carte!

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https://www.jm-madeira.pt/regiao/albuquerque-insiste-que-representante-da-republica-deve-ser-madeirense-mas-recusa-dizer-nomes-HN19507365

Mas que "raio" agora se "apoderou" do Sr. Presidente do Governo Regional quando até defende, pasme-se, um representante da República para a Madeira desde que seja madeirense? Mau, mau Maria. Já não entendo nada. 😕

O PSD-M, que outrora sonhava (ou sonhava-se?) com a extinção do cargo, parece agora embrulhar-se em piruetas dignas de festa de São Vicente. Cada volta, cada meia-volta, cada cambalhota retórica, minha nossa senhora dos tremoços! 😁🤪

O senhor Miguel Albuquerque, depois de bater o pé contra a existência do representante, passou a dizer que aceita o cargo… desde que venha de cá. E quando questionado sobre nomes, não desligou a sirene da nostalgia, destacou as "características políticas" de Alberto João Jardim — aquele que, como sabemos, conhece a Madeira como quem conhece o próprio bolso. Ou seja, não basta ser madeirense; convém ainda usar as mesmas luvas partidárias.

Imaginem o guião, "queremos autonomia? Então daremos um representante de casa. Queremos estabilidade? Então escolha alguém que conhece as chaves do cofre." É a versão regional do menu degustação da política, entrada, prato e sobremesa, tudo ao gosto do costume e com cobertura de conivência a gosto.

Mas o melhor é a lógica. Se o representante serve para articular a soberania portuguesa com os órgãos locais, por que motivo o critério principal passa a ser a geografia e a filiação partidária? Não estaremos a trocar competência por parentesco identitário? Ser madeirense não é, por si só, garantia de prudência institucional, é garantia de sotaque que aquece corações.

Há também a ironia fina: o homem que substituiu Jardim à cabeça do PSD insinua agora a hipótese do próprio Jardim, um déjà-vu com sabor a caricato. A política madeirense parece assim um espelho: vê-se sempre a mesma figura, com novos enquadramentos e as mesmas malhas. É teatro, é comédia, e por vezes tragédia.

Concluo com proposta de claridade (ou de festa), se vamos escolher por DNA regional, que ao menos coloquemos no anúncio “Madeirense, com experiência em governar décadas e com capacidade para conversar com o continente sem criar tremores tectónicos.” Assim teremos tudo: identidade, memória e um cartão de visitas que explique as piruetas. Até lá, resta-nos rir, e limar as unhas para a próxima cambalhota.

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