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São Vicente — Retrocesso à Vista

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ão Vicente está a regredir, e não por fatalidade, mas por opção. O que antes funcionava com discrição e competência tem sido desmantelado por decisões que confundem gestão com clientelismo e serviço público com retórica de conveniência. A partir de agora, todos os pedidos de ajuda relativos ao município devem ser encaminhados diretamente aos serviços competentes, e não a intermediários que atrasam, ocultam e fragmentam respostas.

O diagnóstico é claro: um discurso que se veste de “do povo” enquanto reproduz práticas de tutela e favorecimento. A retórica populista promete simplicidade e ordem, mas entrega estruturas paralelas, informalidade burocrática e impunidade. Quando um partido se proclama defensor da iniciativa privada e, ao mesmo tempo, cultiva um Estado forte para punir dissidências, estamos perante uma contradição política e ética que só serve interesses, não cidadãos.

Em São Vicente essa contradição tem rostos e consequências: urgências transformadas em labirintos administrativos; socorros a animais retardados por intermediários cujo papel é mais político do que técnico; decisões opacas que favorecem redes locais em detrimento do interesse público. Não é incompetência isolada, é um método. A opacidade assegura continuidade; a confusão operacional impede contestação.

Ao argumento de “sermos práticos” contrapomos factos: transparência, protocolos claros, responsabilização e auditoria. Não há pragmatismo em ocultar processos nem em normalizar atrasos que custam saúde, segurança e confiança. Quem governa deviam provar capacidade em minutos, não em slogans. Exigimos medidas concretas: linhas de comunicação directa, registos públicos de intervenção, fiscalização independente e zero tolerância para favorecimentos.

À associação que cuida dos animais: prestígio e apoio. Aos munícipes: exijam recibos, protocolos e respostas por escrito. À comunicação local: tratem dos factos, não do espetáculo. Aos responsáveis municipais: as desculpas acabaram, a cidade precisa de respostas, não de dramatizações.

Este é um chamado à ação: denunciem, reclamem, peçam auditorias e acompanhem. Protesto não é mera reclamação, é devolução de poder ao público. São Vicente merece serviços que funcionem, administração que preste contas e política que não se esconda atrás de moralismos performativos. Recuar já chega, é tempo de retomar a gestão pública com rigor e honra.

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