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A sintonizar estações...

A hipocrisia powerbanks/smartphones nos voos

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Antes de começar a minha exposição quero afirmar que concordo que venham a banir os powerbanks dos voos, mas que depois não venham na carga, e os telemóveis também não carregam como os powerbanks?

P

rentendo mostrar a hipocrisia das normas de segurança e do marketing industrial. No Madeira Opina, gostam de questionar tudo, o que parece "normal" mas não tem lógica, e esta contradição entre smartphones e powerbanks é o exemplo perfeito da obsolescência programada disfarçada de segurança. Powerbanks rua, pega no smartphone e põe a carregar na ficha do avião para um telemóvel que também acaba sendo um powerbank.

Os powerbanks e os telemóveis não são selados? Sim!

Aqui estão os meus três motivos (um técnico, um político e um comercial) para essa "confusão":

Primeiro, a falácia da "densidade energética". Tecnicamente, a bateria de um smartphone moderno e a de um powerbank pequeno são idênticas, ambas são de Ião de Lítio! O argumento das companhias é de que o smartphone tem um circuito que consome a energia, enquanto o powerbank é apenas um "tanque" de energia pura, logo mais instável.

A realidade! Se um smartphone entrar em curto-circuito (combustão térmica), o perigo é exatamente o mesmo de um powerbank. A diferença é que o smartphone é considerado um "item essencial de sobrevivência moderna", e bani-lo paralisaria a economia. Eu já vivi uma cena do telemóvel começar a arder na minha mesa de trabalho. É por isso que escrevo.

A conveniência das baterias seladas. Se os smartphones seguissem o caminho da resiliência (como os powerbanks que permitem ver a sua capacidade ou as pilhas que podem ser removidas), o utilizador teria o poder. Sim, ainda há powerbanks de mudar as baterias, preservo. Ao obrigar o smartphone a ter uma bateria embutida, a indústria garante que, quando a bateria falha, você não a troca a bateria, você troca o telefone inteiro. Ai que há empresas que trocam e até vendem de segunda mão. Diga-me você o que faz? E as companhias aceitam recondicionados?

No avião, permitem o smartphone selado porque ele é um ecossistema de dados, o powerbank é visto apenas como um acessório de carga, sendo por isso o alvo fácil das restrições de "Wh" (Watt-hora).

O Medo do "Engenho Explosivo". Há uma questão de segurança nacional envolvida. É mais fácil esconder um circuito perigoso dentro de um powerbank "caseiro" do que dentro de um iPhone selado de fábrica.

Por isso, a aviação tolera o smartphone como um dispositivo "auditado" pela marca, enquanto o powerbank sofre o estigma de ser uma "bateria solta".

Para mim, esta distinção é mais uma prova de que a tecnologia de consumo é desenhada para nos tornar dependentes e previsíveis. O smartphone é o aparelho da conformidade (bateria selada, sistema fechado). O powerbank/pilha representa a autonomia de quem quer energia em qualquer lugar, sem depender de uma ficha na parede.

É irónico que possas levar um smartphone que aquece mais do que um powerbank, mas se a tua bateria for removível (como procuras para os teus auscultadores), és olhado com suspeita. A segurança aérea, muitas vezes, é apenas um teatro para manter o status quo industrial.

Houve um tempo em que um dispositivo eletrónico era um companheiro para a vida, ou pelo menos para uma década. Hoje, compramos aparelhos com "morte assistida" programada. O principal carrasco? A bateria embutida. As marcas justificam as baterias seladas com a procura por dispositivos mais finos, leves e resistentes à água. No entanto, o preço desta estética é a perda total de controlo pelo utilizador. Quando a bateria de ião de lítio chega ao fim do seu ciclo de vida (geralmente 2 a 3 anos), o utilizador enfrenta um dilema: pagar uma reparação técnica caríssima ou, como acontece na maioria das vezes, deitar fora um aparelho perfeitamente funcional para comprar o modelo mais recente, até porque os Sistemas Operativos são também uma forma de obsolescência programada.

Esta estratégia é a definição clássica de obsolescência programada. Ao impedir a troca simples de uma bateria ou pilha, as empresas garantem o fluxo constante de vendas. O resultado é uma montanha de lixo eletrónico que sobrecarrega os sistemas de reciclagem e o ambiente, enquanto esvazia as poupanças das famílias. Porque para ir ao banco abres o telemóvel... e tudo o resto.

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