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Bolas de golfe para comer

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A Madeira de vitrine dos alienados do PSD Madeira

A

andamos num choque entre a Madeira de vitrine e a Madeira real, a que sofre nos corredores do Nélio Mendonça, com o custo de vida, dos serviços públicos que não funcionam (cheias de chaves da retrete) e a que vê o solo agrícola ser cimentado por elites que parecem viver noutro fuso horário moral, no negacionismo do clima, na insustentabilidade do modelo económico e no desaproveitamento dos curtos espaços úteis que temos. 

Com tanta gente louca que chega ao poder, com instintos autoritários, talvez os ciclos eleitorais não devam ser de 4 anos, para impor mais incerteza nesta gente que governa 3 anos para si s suas clientelas, e depois passam um ano a mentir, requentar e dar rebuçados.

Bolas de golfe para uma Ilha de Inverno demográfico e sem poder de compra.

Enquanto o continente conta os prejuízos de um temporal devastador, lembrando-nos da nossa própria fragilidade perante a natureza, o regime da Madeira decide dar uma aula de cinismo na Ponta do Pargo. Entre a aflição das urgências do Hospital Nélio Mendonça, onde enfermeiros, exaustos e desprotegidos, se veem obrigados à escusa de responsabilidade por falta de condições mínimas e o bater das máquinas de golfe, o PSD escolhe o green. Que oportunidade. É uma visão de desenvolvimento que não é apenas míope; é insultuosa.

O banquete dos privilegiados no corredor da espera.

Diz o deputado Carlos Teles que o golfe é "estratégia de desenvolvimento". Para quem? Para o jovem que não consegue pagar uma renda no Funchal? Para o doente que espera meses por uma consulta enquanto os recursos públicos são enterrados em buracos de 18 buracos? Falar em "investimento na saúde" no mesmo dia em que os profissionais do maior hospital da região batem com a porta por falta de segurança é mais do que demagogia; é um atestado de incompetência passado à face do povo.

A morte da terra, relva em vez de pão.

Numa ilha montanhosa, onde cada metro quadrado de solo arável deveria ser tratado como ouro num mundo em convulsão geopolítica e climática, o governo prefere estender tapetes de luxo para turistas de passagem. A agricultura cai a pique. O custo de vida sufoca. Mas a prioridade é o "impacto indireto" de um desporto de elite. Avisamos hoje para não chorarmos amanhã: qualquer dia, nesta ilha idílica que importa quase tudo o que consome, os madeirenses não terão legumes na mesa; terão bolas de golfe para mastigar.

O voto da raiva, o monstro que o regime criou.

Os partidos tradicionais fingem não perceber o crescimento da extrema-direita. Espantam-se com o voto no Chega como se fosse um fenómeno meteorológico. Não é. É vingança. É o grito de quem se sente invisível perante governantes que preferem campos de golfe à solidariedade social, por mais louca que seja a extrema direita, o eleitor encontrou essa forma de se fazer notar. O radicalismo não nasce no vácuo, nasce no vazio de governação, no abandono das populações e na soberba de quem confunde a Região com o seu quintal privado.

A solidariedade esquecida

Num momento em que a solidariedade deveria ser a nossa bandeira, por nós e pelos nossos irmãos do continente fustigados pelas intempéries, o governo regional reafirma a sua "visão" de betão e lazer para poucos. Enquanto o povo conta os cêntimos, eles contam os buracos do campo.

A Madeira não precisa de mais 20 milhões de euros enterrados na Ponta do Pargo. Precisa de respeito, de hospitais que funcionem e de uma terra que nos alimente. O resto é a alucinação de um regime que já só governa para a fotografia.

Tirem-lhe o ordenado de deputados e atirem-nos para a vida real sem o chapéu do partido:


  • https://www.jm-madeira.pt/regiao/psd-reafirma-visao-de-desenvolvimento-para-a-madeira-atraves-do-golfe-NK19572384

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