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Albuquerque não governa para os madeirenses.

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  • https://www.dnoticias.pt/2026/2/11/481108-albuquerque-desafia-sonae-a-trazer-sede-para-a-madeira/ 

A

lbuquerque está tão cheio de si que nem percebe as contradições, expõe a contradição entre a narrativa de "sucesso macroeconómico" e a realidade da precariedade laboral na Madeira. Albuquerque desafia a Sonae (dona do Continente) a trazer a sede para a Madeira, oferecendo um IRC de 13,3% (com promessa de 10%), enquanto, simultaneamente, o seu governo colocou sucessivos entraves à entrada do LIDL, cadeia com preços mais em conta para os madeirenses. A lógica parece ser do tipo, queremos os vossos impostos, mas não queremos que venham baixar os preços e fazer concorrência real aos nossos grupos económicos estabelecidos. Ao "chutar" o LIDL para fora, protege-se o status quo do retalho que já opera na ilha, mantendo os preços altos (o que gera mais IVA e lucros para os suspeitos do costume) com salários baixos.

Os dados que Albuquerque apresenta com orgulho (crescimento de 87,5% no PIB em 10 anos) são números impressionantes no papel, mas a questão essencial é quem está a ficar com esse dinheiro? Se o PIB cresce, mas a base da economia continua a ser "fazer camas e arrumar prateleiras", a riqueza fica concentrada no topo (os "amigos das obras" e os donos dos grupos hoteleiros).

Outro pormenor, o tal "povo superior", que sei perfeitamente quem são, mas que agora vou considerar os jovens licenciados e qualificados da Madeira, não encontram lugar numa economia de serviços de baixo valor acrescentado. O resultado é a exportação de inteligência e a importação de "cheap people" (mão-de-obra imigrante vulnerável) para manter as margens de lucro dos setores tradicionais. Verdade ou mentira.

Mas, Albuquerque é Presidente do Governo ou relações públicas? O desafio à Sonae é quase um ato de relações públicas. Dificilmente um grupo como a Sonae, com raízes profundas na Maia e uma estrutura logística imensa no continente, mudaria a sua sede financeira para o Funchal apenas pelo IRC, a menos que fosse uma manobra puramente fiscal (o que traria pouco valor real em termos de empregos qualificados para os madeirenses).

A resposta do CEO da The Editory ("está fora da minha órbita") foi o elegante, basicamente não nos metam em política, o que dizem as empresas quando não levam o convite a sério.

No momento em que o custo da mão-de-obra imigrante ou local subir ligeiramente, os mesmos grupos que Albuquerque protege serão os primeiros a substituir o "povo" por quiosques de auto-pagamento e sistemas automatizados. Onde ficará, então, o PIB da Madeira?

Albuquerque, quando é que a ARAE se dedica à concertação de preços e às promoções fictícias?

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