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https://madeira.rtp.pt/parlamento/inflacao-atrasou-as-obras-de-remodelacao-do-aeroporto-do-porto-santo-video/
A Madeira insiste na revisão dos limites de vento e na melhoria da operacionalidade. No entanto, o anterior concurso para obras no Aeroporto foi anulado devido a um aumento de 65% dos custos face à estimativa. O Governo não passou por isto com os seus amigos? O Governo Regional pressiona por obras colossais, mas parece haver um desfasamento entre a ambição política e a viabilidade económica dos projetos. A Madeira quer a operacionalidade máxima, mas quer que a fatura (e o risco do investimento) seja assumida inteiramente pela ANA/VINCI. Este aeroporto foi moeda de garantia para as dívidas da Madeira, alguns dizem que a reorientação da pista falhou e que atenuaria a inoperacionalidade, e depois tem esta coisa incrível da propensão para o risco, focados no overtourism que nos destrói.
A sugestão da ANA de criar um fundo de reserva a partir da taxa turística, para apoiar passageiros em situação de contingência, é o ponto onde a "conveniência" regional é testada. Boa ideia, isso sim é alguma coisa para o Plano de Contingência... factual. No entanto, a Madeira quer os lucros do turismo, mas resiste a usar as receitas das taxas turísticas para mitigar os problemas causados pela inoperacionalidade. Quer que as companhias aéreas ou a concessionária assumam os custos de alojamento e logística, protegendo o orçamento regional. Às vezes penso que isto é a mesma postura do Governo dos Açores em relação à SATA... querem tudo com o dinheiro dos outros... ninguém investe, nada se resolve e a falta de razoabilidade acaba afastando o investimento. Quer dizer, os Governos Regionais não resolvem, mas exigem tudo aos outros.
Os deputados focaram-se na necessidade de redução das taxas, apesar da ANA alegar uma redução de 27% desde o início da concessão. O concessionário acusou o toque, é conveniente para a política regional manter a imagem de que o custo das viagens é alto apenas por culpa da "ganância" da concessionária, ignorando o peso dos impostos e das taxas que a própria Região controla ou beneficia. E não se esqueçam do que foi negociado para cobrir a falência da Madeira.
Enquanto o aeroporto do Funchal estiver condicionado, a alternativa (Porto Santo) continua sem capacidade logística real (as obras na gare do Porto Santo apenas arrancarão em 2027). A Madeira exige que a ANA resolva este problema, mas a "operacionalidade" total só chegará em 2029. Até lá, o Governo Regional continuará a usar estas falhas para alimentar o discurso de "abandono" por parte do Estado ou da concessionária. Isto já parece a data do HNM...
Os deputados querem Sol, mas que os outros paguem a Sombra. O recado da ANA no parlamento foi um banho de realidade. Querem limites de vento revistos, aeroportos de suplência prontos e taxas baixas. Mas, quando se fala em usar a taxa turística para criar um fundo de reserva para os passageiros retidos, os deputados assobiam para o lado.
Portanto:
- Querem rapidez, mas os custos dispararam 65% e o projeto terá de esperar por 2027.
- Querem que a ANA invista milhões, mas não querem abdicar de um cêntimo das receitas turísticas para ajudar quem fica em terra.
Eu cá acho que o PSD gosta disto assim e negoceia à Putin. É mais fácil culpar a concessionária pela inoperacionalidade do que admitir que a nossa insularidade tem custos que o Governo Regional também deve ajudar a cobrir. Se continuarmos a querer que os "outros" assumam todas as responsabilidades, enquanto ficamos apenas com as conveniências, corremos o risco de ver a solução definitiva (prevista apenas para 2029) ser adiada por mais uma década de jogos políticos. Já parece o novo aeroporto de Lisboa...
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