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PRR: o mau tempo no continente mandou um recado para a Madeira

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orque fez sofrer muito, as tempestades no continente ficaram envolvidas em solidariedade em vez de críticas. Quer dizer, ninguém ouviu solidariedade da boca de Albuquerque, votou em branco para o continente. Vá lá que a EEM disfarçou a situação.

Mas neste momento, em que se pede para andar depressa com os apoios e sem burocracia, com o novo Presidente da República já a mandar bocas, o dinheiro é a questão. É curioso como as tempestades abrem os olhos, no que poderia ter sido usado o dinheiro do Plano de Recuperação e Resiliência, especialmente com o prazo de validade do "cheque europeu" a aproximar-se. O mau tempo que assolou o continente nos últimos dias (com a depressão Kristin e a Marta) serve de aviso, a natureza não espera por burocracias, e a resiliência tem de ser mais do que uma palavra bonita num documento oficial. Entretanto, esta noite vem mais uma "rio atmosférico" laranja para cima do continente.

E se um dia temos esta sequência?

Li no Madeira Opina, lembro-me porque espero pela reposição das hemerotecas do MO, de alguém que falou em exemplos como o da Eslováquia, que fez chegar às famílias programas para tornar as casas mais resilientes às alterações climáticas, para frio, calor, vento e energia. É verdade que para cheias ninguém está preparado, a menos que o Governo soubesse como controlar as águas como os holandeses. O mau tempo deixou um grande estudo sobre o que fazer para infraestruturar o pais contra as agressões do clima, nomeadamente na gestão de águas. E torres com fundações sérias que não tombem nem verguem.

Curioso o timing! Agora no último ano do PRR, surgem ideias claras para os Governantes que andaram céleres para distribuir aos amigos e ausentes para o povo. Aquela do Lar no Santo da Serra e do Hospital Nélio Mendonça dizem muito...

Mas, o mau tempo que recentemente fustigou o continente português, não foi apenas uma questão de meteorologia, foi um aviso severo à navegação, particularmente para nós, na Madeira. Enquanto as tempestades Kristin e Marta causavam o caos em território continental, a mensagem que chegava às nossas ilhas era clara, a resiliência — o "R" do meio do PRR — não se faz com intenções, faz-se com obras concluídas e infraestruturas prontas. Digam-me, o vento já prega partidas no nosso aeroporto, mas como andam os telhados de muitas casas na Madeira, torres de alta tensão, pavilhões metálicos, cabos pelo ar naquela medonha poluição paisagística?

A Madeira recebeu uma fatia generosa do Plano de Recuperação e Resiliência, mas estamos a entrar na reta final. O "dinheiro de graça" vindo de Bruxelas tem data de validade e o tempo das promessas esgotou-se. O prazo é fatal e não haverá mais prolongamentos. Bruxelas já foi clara, o que não estiver pago e executado até meados/final de 2026, volta para trás. Na prática, a Madeira tem pouco mais de 6 meses de "velocidade máxima" para garantir que nenhum cêntimo se perde por falta de capacidade de execução. Mas o lar já foi abatido.

Contudo, já sabemos algum do resultado final, dormimos sobre o dinheiro, faltaram ideias, foram egoístas e guardaram o dinheiro à gestão do Governo, nada chegou à população e a muita empresa. Criou-se um órgão fiscalizador para não dizer nada de errado.

O mau tempo no continente expôs as fragilidades de quem não preveniu. Sobretudo o Estado! Para a Madeira, o aviso foca-se (para além dos já referidos) na Gestão Hídrica, Florestal, da Energia e Comunicações, nos Lares e na Saúde, mas sobretudo a resiliência que se perdeu para a população. Reparem que já tivemos um 20 de fevereiro, mas é preciso pensar para pior. Quantos de vocês pensaram naquele tempo do continente se tivesse chegado à Madeira? Saturando os solos e provocando escorrências numa má política florestal, com feridas expostas pelos incêndios, infestantes e ideias de corta-fogo (onde já querem fazer parques) que conduzem os "rios atmosféricos" para cima de nós. Precisamos de reflorestação resiliente para percolação lenta e resistentes a incêndios.

Mas, de tudo o que poderíamos falar, e à luz do que se passou no continente, como vão os telhados dos madeirenses se surge aquele vento medonho? 

O PRR serviu para alimentar o "Sistema" ou para inaugurar obras, quando poderia ter sido o escudo que nos protege quando o céu decidir cair-nos em cima ou uma nova pandemia ameaçar para manter a economia a funcionar. O continente já sentiu o golpe depois de nós no 20 de fevereiro, mas parece que ainda assim custa ter ideias para gastar o dinheiro porque falta conhecimento aos governantes.

Foi macabro o timing das tempestades, no fim do PRR. A Madeira passou ao lado, mas não agoirando, acho que vamos ser postos à prova. E vou-me lembrar de novo do egoísmo de alguns sobre o PRR.

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