J
José Carlos Gonçalves tenta colar à estrada uma aura de fatalidade histórica, dizendo que é um "sonho antigo com mais de cinquenta anos" que permanece "inacabado". Ao classificar a oposição como "alarmista", ele ignora que o recuo de Albuquerque não foi por teimosia, mas por pressão de pareceres que indicam o impacto irreversível na Laurissilva. Chamar-lhe "necessidade vital" é uma forma de emocionalizar uma questão que é, acima de tudo, ambiental e técnica.
Temos um Chega social democrata que afinal não veio fazer diferente mas ocupar o lugar. Ginjas sim, agora com piso azul. O Presidente da CMSV, afirma que a estrada "está aberta há anos, faltando apenas a pavimentação". O mato já tomou conta de novo depois daquele desbaste para "estrada" com o PAN a avalisar? Uma boa dica para José Carlos Gonçalves, o que aconteceu ao PAN.
Este é o ponto mais perigoso do discurso enquanto mensageiro de Albuquerque: pavimentar! Não é apenas "pôr alcatrão"; implica drenagens, muros de suporte e, crucialmente, facilitar o acesso massivo de veículos a uma zona sensível. A "estrada aberta" atual é um caminho de terra que a natureza ainda consegue absorver; a pavimentação altera definitivamente o ciclo hidrológico daquela encosta. Degelo só na cabeça de Albuquerque, equivalente ao tsunami emocional para obras de Calado.
O advogado de defesa do poder, termina com a frase feita de encontrar o "equilíbrio entre preservação e desenvolvimento responsável". Faz-me cócegas!
Na prática política regional, este "equilíbrio" tem servido frequentemente de cobertura para a política do betão. Se a floresta "permanece preservada" como ele diz, é precisamente porque o acesso foi mantido difícil. O argumento de que os opositores "nunca visitaram a zona" é um ataque ad hominem para deslegitimar cientistas e especialistas que baseiam as suas críticas em dados, não apenas em passeios no local.
José Carlos Gonçalves vende a estrada como uma "alternativa real de entrada e saída" em situações de emergência. Eu teria cuidado com a ameaça do mar... São Vicente já tem acessos consolidados. Justificar o rasgar da Laurissilva com a proteção civil é uma estratégia comum para tornar a obra "inquestionável", ocultando o verdadeiro objetivo, o potencial imobiliário e turístico que uma estrada pavimentada traz às áreas circundantes.
Mais uma triste figura do Chega quando tem poder.
Historicamente, projetos de estradas secundárias com esta numeração (série 200) tendem a sofrer derrapagens financeiras. Podes argumentar que a ER 208 não é uma estrada, é um "buraco negro" de 208 problemas financeiros para o contribuinte vicentino e madeirense. Nos aditivos alimentares e compostos químicos, o E208, está associado ao Difenil, um conservante que foi banido em vários países por ser considerado tóxico e perigoso para a saúde e para o ambiente. Se José Carlos Gonçalves soubesse disso se calhar não metia 208 como título, é um elemento tóxico que o Governo quer injetar num ecossistema puro, tal como um aditivo químico estraga um alimento natural.
O PSD não saiu da CMSV, passou ao plano B.
Envie texto ou siga-nos nas redes sociais:


Regras e Diretrizes da Comunidade
1: Não publique e-mail ou qualquer tipo de informação pessoal.
2: Não publique links do seu próprio blog/site.
3: Não faça spam, respeite.
4: Para Ajuda e Suporte, utilize o formulário de Contato.