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Para ser de borla a NATO já é boa? Lajes a 150% já.

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S

ou ocidental de tradições e costumes, sou europeu de gema, sou português orgulhoso mas não um nacionalista extremado. Gosto da sã convivência e da oportunidade para todos os que vierem por bem e não para impor a descaracterização do país.

A América e o governo de Trump não dão lições a ninguém e não são a medida das coisas. Os dois, nesta era, usa a força para impor a sua ordem, não negoceiam, antes ameaçam. E quando não dá certo, ameaçam com mais força. São tempos de imperialismo de quem abusa da força e de colonialismo de mercado. Tempos de ordem internacional, sem regras entre países, cozinhados durante décadas por experiência da Segunda Grande Guerra. Agora chegaram uns iluminados que, por preferirem ir contra a ciência, as evidências e o respeito em multilateralismo estão a criar um retrocesso civilizacional.

Porém, tal como Putin, Trump só respeita a lei do mais forte ou daquele que pode aplicar derrotas, momentâneas, parcelares ou totais. Definidas ideias base decidi escrever um texto provocador.

O Preço da Subserviência: Lajes, 150% de Tarifa e a Lição de Trump

Há décadas que Portugal se orgulha de ser o "aliado de primeira hora". Cedemos o nosso território, abrimos os nossos céus e, em troca, recebemos palmadas nas costas e promessas diplomáticas que não pagam as contas. Tudo isto é por conta de ser parceiro da NATO, portanto, a organização tem valor e é preciso fazer notar a abusadores. Nesta hora.

A Base das Lajes, nos Açores, é o exemplo máximo de uma relação tóxica, agora. É um porta-aviões fixo no meio do Atlântico que os EUA usam como se fosse um bem herdado, e não um recurso soberano de uma nação independente.

Enquanto Lisboa se perde em salamaleques, o mundo mudou. Donald Trump provou que a diplomacia do século XXI não se faz com sorrisos, mas com faturas. Se os interesses americanos são colocados em primeiro lugar por eles, quem em Portugal está a colocar os nossos? Será que a mesma receita é um ensinamento, uma provocação ou um piscar de olhos a quem reteve a mensagem?

A ideia é simples e provocadora, é hora de aplicar uma tarifa de 150% aos EUA pelo uso das Lajes. Não se trata de antiamericanismo, trata-se de reciprocidade. Se Washington utiliza taxas alfandegárias para dobrar o braço de parceiros comerciais, e há poucas horas aumentaram as tarifas e Portugal será dos mais penalizados, o nosso país deve utilizar o seu ativo mais valioso, a geografia, para equilibrar a balança. Cobrar pela soberania é o primeiro passo para ser respeitado.

Para que o Governo Português deixe de ser um espectador, quase nunca transparente e informativo, e passe a ser um negociador ao estilo "Trump", seriam necessárias algumas medidas drásticas. Facturar como Trump gosta para os outros, contra ele, uma facturação de uso de solo vinha a calhar e até extinguia uma guerra. Se calhar deixá-los apeados no regresso e pagar pelos dois trajectos. Impor uma taxa imediata por cada pé quadrado ocupado militarmente, ajustada ao valor estratégico real é uma ideia. Estaria aberto a negociações, proposta, abata as tarifas contra Portugal. Afinal que raio de aliados somos?

Porque não podemos insinuar o Portugal First? Condicionar a renovação de qualquer acordo de defesa a investimentos diretos em infraestruturas civis nos Açores e na Madeira. Fazer a mesma diplomacia do ruído de Trump, anunciar as exigências em praça pública. O segredo diplomático só serve para esconder a nossa fraqueza.

A autonomia, seja ela regional ou nacional, exige coragem para dizer "não" ou, pelo menos, para dizer "custa caro". É uma forma de soberania.

Um comerciante imobiliário feito governo só entende assim o valor das coisas, lembrem-se de que ele tinha tudo à mercê na Groenlândia, por cota da NATO, mas queria ser proprietário. Ele não respeita a soberania de ninguém e até manda Rubio fazer campanha eleitoral na Hungria.

Fiz-me entender?

P.S.: escreverei um novo texto sobre o tema.

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