O meu texto surge com esta frase:
A origem do problema é para já desconhecida.
A
As causas ou fontes prováveis são algumas, por isso convém falar delas a ver se no atalaia têm pistas. A ciência médica é clara quanto às vias de introdução da sarna em ambientes de internamento. Se a origem é desconhecida, é porque se falhou na triagem de uma destas três portas de entrada:
- Novas admissões ou transferências, à cabeça, utentes provenientes de outras unidades de saúde ou do hospital central que não tenham sido devidamente rastreados. O ácaro pode demorar até seis semanas a manifestar sintomas, o que exige uma observação rigorosa no momento da entrada.
- Nas unidades de longa duração, o fluxo de visitantes e prestadores de serviços externos é constante. Sem protocolos de higienização de mãos e controlo de proximidade, qualquer contacto pele-com-pele pode introduzir o parasita na instituição.
- A partilha ou o manuseamento inadequado de fardas, lençóis ou toalhas. Se as temperaturas de lavagem não atingirem os níveis recomendados ou se houver cruzamento entre roupa limpa e suja, o ambiente torna-se um incubador perfeito. Por aqui há várias portas a explorar.
Acho que é justo explicar que a sarna não é uma doença do passado, mas é, inegavelmente, uma doença de falha de higiene e de vigilância. Estamos de acordo? O isolamento de nove pessoas indica que o foco não foi detetado precocemente. Num sistema que se pretende moderno, a "origem desconhecida" não pode servir de desculpa; deve ser o ponto de partida para uma auditoria interna séria. Não sei se isto vai acontecer. Veremos se o DN-M vai convidar alguém com interesses na situação para explicar de forma jeitosa. Talvez a mesma pessoa do HNM para alienar ... lá para 2030.
Mas depois de um bom passo do Atalaia, precisamos de outro, o SESARAM e a direção do Living Care precisam de esclarecer aos familiares e ao público, não é apenas que o plano de contingência foi ativado, mas sim onde é que a barreira falhou! A responsabilidade traz mudanças. A saúde pública na Madeira não pode viver de planos que só reagem ao dano já feito. Precisamos de prevenção que impeça o parasita de entrar, especialmente onde os nossos idosos estão mais vulneráveis.
Agradeço a publicação ao Madeira Opina.
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