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Alberto João nos Açores disse que deveriam demitir o indíviduo que provocou o diferendo do Subsídio Social de Mobilidade, pois eu acho que há muitos problemas que têm um responsável político, que deve ser demitido para que o lugar fique vago para que alguem comece a corrigir. Se não for a bem, será a mal.
Se o conflito no Irão escalar, a coragem para corrigir o excesso de carros virá da necessidade. Com a China e a Rússia envolvidas, o custo de vida na Região Autónoma dispararia, pois somos o fim da linha de uma cadeia logística que depende de paz nestes pontos críticos. Será que a Madeira está preparada para uma economia de guerra onde o combustível seja racionado ou proibitivo?
O Irão é o "posto de gasolina" da China, vendendo petróleo porque contorna as sanções ocidentais. Se o Irão entra em guerra aberta, a economia chinesa (a fábrica do mundo) abranda por falta de energia. A Rússia fornece tecnologia militar ao Irão em troca de drones e munições contra a Ucrânia, a China fornece a cobertura financeira e diplomática. Uma guerra envolvendo este eixo não seria um conflito regional. Causaria uma retração massiva de capitais, inflação galopante e a interrupção de componentes tecnológicos necessários para o próprio plano "Digital" da Madeira. O Irão detém a chave do Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do consumo mundial de petróleo líquido.
A Madeira, menos dependente de combustíveis, sentiu crises anteriores (como o choque petrolífero de 1973 ou a crise de 2008), em três frentes que se repetem agora. Sempre que há tensão no Estreito de Ormuz, o preço do barril de Brent sobe. Na Madeira, isto traduz-se não só no preço nas bombas, mas no custo de produção de eletricidade (que ainda depende fortemente de combustíveis fósseis). As companhias de navegação aplicam taxas extra assim que o petróleo sobe. Em crises passadas, isto fez com que o preço de produtos básicos (leite, carne, materiais de construção) subisse 15% a 20% em poucas semanas. Uma guerra que envolva a Rússia e a China cria instabilidade financeira na Europa. Menos confiança significa menos voos e menos turistas, o que asfixia a economia regional. Num instante a Madeira fica a parecer Cuba...
A Covid tinha "mandado" diversificar, ninguém ouviu.
Portugal não consome diretamente do Irão, mas faz subir preços por falta de combustível no mercado, com certeza Trump vai querer um bloqueio como o Venezuelano. Portugal importa do Brasil, Angola, Nigéria, Cazaquistão e Argélia. Menos de Arábia Saudita e Iraque. Desde o fim do fornecimento via gasoduto do Magrebe (que vinha da Argélia através de Marrocos), Portugal passou a depender quase exclusivamente do Gás Natural Liquefeito dos Estados Unidos, Nigéria, Fornecedor ocasional importante Trindade e Tobago. A redução do gás russo é notória.
Se o Irão bloquear o Estreito de Ormuz ou entrar em guerra aberta, a China passará a disputar o petróleo do Brasil, de Angola e da Nigéria com muito mais agressividade para compensar a perda iraniana. Esse aumento da procura global faria os preços disparar em Sines e, por consequência, no Porto do Caniçal.
Os setores mais resilientes na Madeira seriam aqueles que já iniciaram a descarbonização (como unidades hoteleiras com painéis solares e bombas de calor), mas se não vem turistas... e a agricultura local de subsistência, que depende menos da logística internacional de frio e transporte de longo curso. Num instante acaba-se a grandeza e o PIB do Albuquerque
Lembro que a Madeira produz energia entre de 30% a 35% com renováveis que inclui a energia hídrica, eólica, fotovoltaica e a valorização energética de resíduos (biomassa). Desde logo, a maior parte da nossa eletricidade ainda provém da queima de fuelóleo e gás natural, na Central Térmica da Vitória, cerca de 65% a 70%.
Falamos da energia, dos carros de rent-a-car, e o preço dos bilhetes de avião para os pata rapadas do turismo massivo do Eduardo Jesus?
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