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Engano em Cartaz!

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E

sta imagem que circula nas redes e que o CHEGA e os seus eco-chimarrões espalham como se fosse um argumento é, na melhor das hipóteses, má-fé e, na pior, propaganda calculada. Transformam um cartaz grotesco — onde se misturam rostos, bandeiras e fogueiras para produzir o pânico visual — numa arma de confusão: “o fascismo é de esquerda”. Ridículo. Perigoso.

Não se trata de debate; é de terrorismo semeado por palavras. Quem pega num encenado apocalíptico para inverter conceitos elementares demonstra, no mínimo, duas coisas: ignorância histórica monumental e uma estratégia deliberada de manipulação. O fascismo nasceu como corrente autoritária, nacionalista e anticomunista — Mussolini foi o seu arquitecto; Hitler, seu discípulo. O fascismo organiza o Estado, o culto do líder, o militarismo e a repressão. É o extremismo da direita. Pôr isto de pernas para o ar é diluir a memória e confundir deliberadamente a sociedade.

O objectivo é claro: desviar a discussão real — corrupção, precariedade, empobrecimento — para uma paisagem de “os outros são piores” que favorece o espectáculo e afasta a acção colectiva. Em vez de confrontarem políticas, preferem incendiar imaginários. Em vez de explicarem medidas, preferem nomear os inimigos. É um truque primordial: substituir argumentos por cenários de medo.

Denuncio isto como acto político: visam polarizar, dividir e neutralizar o raciocínio crítico. Ao transformarem a linguagem numa arma, congelam a democracia no ódio performativo. Venderam a ideia de que qualquer crítica ao radicalismo de direita é “defesa do comunismo” e que qualquer crítica ao comunismo é “descoberta do fascismo”. É uma fraudação semântica que empobrece o debate público e anestesia a cidadania.

Não peço consenso. Exijo honestidade. Quem usa este cartaz está a optar pela demagogia, pela caricatura e pelo atavismo do golpe comunicacional. Mostrem propostas, mostrem programas, mostrem contas. Se não têm argumentos, não confundam a população: o fascismo não muda de cor só porque convém à narrativa de propaganda.

A resistência cívica consiste em nomear as coisas correctamente, recusar a distorção e exigir transparência. Para quem acredita na dignidade pública, o combate começa por recuperar a linguagem. Não cedam ao espectáculo; ajam. Não deixem que a mentira gráfica determine a agenda. O resto é ruído — e o país já não precisa de mais ruído, precisa de respostas.

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