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A sintonizar estações...

Gentrificação até a hostilização total.

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I

magino que quem está a ganhar dinheiro e a fazer o PIB está radiante, chovem euros, mas cuidado com o que estão a semear. Estive a ler um artigo do Expresso, os números oficiais não mentem, o Turismo em Portugal vai fechar 2025 com receitas de quase 30 mil milhões de euros. É dinheiro que nunca mais acaba. Mas onde é que ele está? Não o estamos a ver nas famílias e, certamente, não vai servir para ajudar as famílias com as vidas destruídas pelas recentes intempéries, nem para resolver o caos logístico do país. Vão à banca, e o governo vai ajudar, mas já está a colocar todos os entraves típicos do cinismo. Ponham-se a pau!

Tem piada o presidente da AHP, Bernardo Trindade, vir agora pedir um "selo" para que as pessoas saibam onde é gasto o dinheiro das taxas. Parece que já sente algo, a hostilidade que vai ameaçar o negócio, mas também chegámos a este ponto, o Estado é tão pouco transparente que é preciso colar um autocolante no caixote do lixo para provar que o dinheiro do turismo serviu para alguma coisa. Até parece as companhias aéreas no subsídio social de mobilidade que querem receber do cliente e não do Estado. É a prova de que vivemos num Estado que se comporta como um chulo: cobra, arrecada, mas esconde-se quando é hora de prestar contas ou de investir a sério em infraestruturas. Aquelas que cedem pelas intempéries mas sobretudo pelo overturism.

Hotéis a crescer, cidades a morrer Lisboa e Porto vão levar com mais 80 hotéis até 2028. O Funchal está em stand by nos AL, (mas cá ara mim é para favorecer os hotéis). Onde é que estas pessoas vão viver? Onde é que os trabalhadores vão morar? O Governo sacode a água do capote, dizendo que "o turismo não é responsável pela falta de habitação". Claro que não... o responsável é este sistema que prefere o lucro imediato das taxas e dos impostos à proteção de quem trabalha. Qualquer dia não serão só os portugueses fartos... os imigrantes também, são o novo povo.

 Ouvir o Secretário de Estado e o Governo falarem em "solidariedade" com as vítimas da tempestade Kristin, depois de saber que cortam apoios a quem tem dívidas fiscais, é um insulto à inteligência dos portugueses. Estão a viver num pedestal de moralismo burocrático.

Desculpem-me se escrever muito, isto enche os bofes.

O Turismo em Portugal bate recordes, mas o custo invisível é o mais alto de todos, a descaracterização das nossas cidades e a expulsão da nossa gente. O que virão os turistas ver? Um parque de diversões? O Estado vampiro arrecada biliões, mas o que entrega de volta à população é o sentimento de rejeição e o peso da gentrificação. O povo sente-se estrangeiro na própria terra, é a morte da hospitalidade e o início da hostilidade. Nós vivemos aqui e o turismo está à margem disso! Um negócio paralelo à nossa vida, não para substituí-lo.

É um processo de "limpeza social" disfarçado de progresso. A população sente-se abalroada por governos que só veem cifrões e por um negócio turístico que trata os bairros como cenários de parque temático. Quando os costumes locais são atropelados por multidões que não respeitam nada, e os residentes são empurrados para as periferias porque não conseguem pagar a habitação, a paz social acaba. Não é de estranhar que a população comece a ser hostil. É a resposta natural de quem se sente desconsiderado e invadido. Agora está tudo contente, mas isto é a morte da identidade, estamos a vender a alma ao diabo. Os turistas vêm procurar a autenticidade, quando acabar tornam-se predadores de outro sítio.

O Funchal não foge à regra, será um resort.

O turismo em excesso, um PIB elevado que não chega à população, e a falta de atenção aos portugueses vão transformar Portugal. É bom que os políticos aprendam com as lições, desacreditar pode já não eleger mais "Seguros".

Com a instabilidade internacional, num instante acaba a folia do turismo e aí vão pensar que a lição da Covid era diversificar e ninguém fez nada com essa lição!

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